Um júri civil federal considerou na quarta-feira a Live Nation, controladora da Ticketmaster, culpada de monopólio ilegal em violação das leis antitruste dos EUA, após um julgamento em Nova York.
A gigante global de promoção de concertos e emissão de bilhetes chegou a um acordo amigável no início de março com o Departamento de Justiça dos EUA, que desistiu da acusação, mas 34 estados norte-americanos decidiram continuar o processo contra a empresa.
Na sequência desta decisão, o juiz responsável pelo caso, Arun Subramanian, terá agora de determinar os danos num processo separado, que poderá equivaler ao desmantelamento do grupo e à venda da Ticketmaster.
De acordo com a mídia dos EUA, o júri concluiu que a Ticketmaster cobrou a mais de US$ 1,72 aos seus clientes por ingresso vendido. O juiz determinará o valor total dos danos nos próximos dias.
A Live Nation comprou a Ticketmaster em 2010 com a aprovação do Departamento de Justiça, com condições.
Desde então, o grupo tem sido acusado de abusar da sua posição dominante na organização de espectáculos e na venda de bilhetes.
O processo, movido pelo departamento e por 40 estados, começou em março em Nova York, antes que um acordo amigável fosse alcançado após uma semana de audiências: a Live Nation concordou privadamente em pagar US$ 280 milhões em danos e vender 13 cinemas.
Mas a maioria dos estados rejeitou estas condições e prosseguiu com o processo.
O procurador-geral eleito da Califórnia, Rob Bonta, respondeu: “Diante dos retrocessos na aplicação antitrust pela administração Trump, esta decisão mostra até onde os estados irão para proteger os nossos cidadãos das grandes corporações que usam o seu poder para aumentar ilegalmente os preços e fraudar os americanos”.
Na audiência, o chefe do principal concorrente da Live Nation, AEG Presents, anunciou que a taxa média de venda de ingressos para shows era de 25% do preço nominal nos EUA, em comparação com 15% na Europa, uma diferença que ele atribuiu ao domínio da Ticketmaster no mercado dos EUA.



