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Trump chama Giorgia Meloni de “inaceitável” depois que ela repreendeu os comentários do Papa Leão XIV

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As tensões aumentaram entre Donald Trump e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, na terça-feira, depois de o presidente dos EUA ter repreendido publicamente um dos seus aliados europeus mais próximos, acusando-a de falta de “coragem” e de não apoiar os esforços de Washington contra o Irão.

Em entrevista por telefone ao jornal italiano Daily Corriere della SeraTrump descreveu Meloni como “inaceitável” e disse estar “chocado” com a posição dela, segundo a versão em inglês do site.

O que aumentou a disputa com Trump foram as críticas de Meloni às suas recentes declarações dirigidas ao Papa Leão XIV, que ela descreveu como “inaceitáveis”, levando Trump a responder que eram “inaceitáveis”.

Numa dura repreensão ao apelo do Vaticano para parar a escalada no Médio Oriente, o Presidente Trump recorreu a… Verdade social Explodir o Papa Leão XIV. Trump descreveu o papa como “fraco no crime” e “terrível na política externa”, e advertiu-o para “se concentrar em ser um grande papa, não um político”. A postagem, que se tornou viral, acusava o primeiro papa americano de “atender à esquerda radical” às custas da segurança global.

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Na entrevista para Corriere della Sera Trump repetiu as suas críticas ao Papa Leão, dizendo que o Papa “não tem ideia do que se passa no Irão” e “não compreende” o que está em jogo.

As tensões aumentaram entre o presidente Donald Trump e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni na terça-feira. (Susan Plunkett/Reuters)

“Ela não está nos ajudando, estou chocado com ela”, disse Trump sobre Meloni na conversa de seis minutos.

Ele foi mais longe, acusando Meloni de confiar em Washington enquanto este se recusa a agir.

“Eles contam com Donald Trump para mantê-lo aberto”, acrescentou, referindo-se às rotas energéticas globais através do Estreito de Ormuz.

Os comentários representam uma mudança brusca de tom em relação a Meloni, que compareceu à posse de Trump em 2025 e o elogiou como um “grande líder” apenas algumas semanas atrás.

A Casa Branca e o gabinete de Meloni não responderam imediatamente.

A briga pública ocorre no momento em que Meloni começa a distanciar-se de Washington e de Jerusalém, no meio da crescente pressão interna e política sobre o conflito em expansão no Médio Oriente.

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O presidente Donald Trump faz um discurso, sob aplausos da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, após a assinatura da primeira fase do acordo de cessar-fogo em Gaza entre Israel e o Hamas, no Egito, em 13 de outubro de 2025. (Evelyn Hochstein/Reuters)

Na terça-feira, Meloni confirmou num comunicado que a Itália suspendeu a renovação automática de um acordo de cooperação de defesa de longo prazo com Israel, sinalizando uma grande reinicialização nas relações.

Ela acrescentou: “À luz da situação atual, o governo decidiu suspender a renovação automática do acordo de defesa com Israel”.

A medida surge na sequência das recentes tensões entre Roma e Jerusalém, incluindo o disparo de tiros de advertência por parte de Israel perto das forças italianas que servem no sul do Líbano sob mandato da ONU, bem como as crescentes críticas italianas às operações militares israelitas na região.

Israel minimizou o impacto da decisão, dizendo que o acordo era em grande parte simbólico e “nunca incluiu qualquer conteúdo substantivo”, informou a Reuters.

Em Israel, o líder da oposição Yair Lapid criticou fortemente o governo na sequência da medida italiana.

“A decisão da Itália de suspender o acordo de cooperação de defesa com Israel é outro fracasso embaraçoso para o primeiro-ministro e para o inexistente ministro das Relações Exteriores”, escreveu Lapid no X.

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A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, é recebida ao chegar ao Pórtico Sul da Casa Branca em Washington, D.C., em 18 de agosto de 2025. (Mandel Ngan/AFP via Getty Images)

Ela acrescentou: “Meloni não é um líder europeu progressista e de esquerda”. “Ela pertence à direita conservadora e compreende a necessidade de combater o terrorismo”, acrescentou.

A mudança de Meloni reflecte o que os analistas descrevem como um reposicionamento político mais amplo, uma vez que as consequências económicas da guerra, especialmente o aumento dos custos da energia, pesam fortemente sobre a economia italiana, dependente das importações, e sobre a opinião pública.

O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, defendeu Meloni, reafirmando a aliança da Itália com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que enfatizou que a cooperação deve ser baseada na “lealdade mútua, respeito e franqueza”.

A escalada das tensões realça divisões crescentes no seio das alianças ocidentais, à medida que o confronto liderado pelos EUA com o Irão reverbera por toda a Europa, forçando líderes como Meloni a equilibrar as parcerias estratégicas com as realidades políticas internas.

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Um navio passa pelo Estreito de Ormuz durante um cessar-fogo temporário de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã em 8 de abril de 2026. (Shadi Al-Assar/Anadolu/Getty Images)

O Ministério da Defesa de Israel não quis comentar.

A Reuters contribuiu para este relatório.

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