O governo brasileiro demitiu o chefe da autoridade de inspeção do trabalho, dias depois de seu gabinete ter adicionado a empresa chinesa de veículos elétricos BYD a um registro de empregadores que supostamente submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão.
Luiz Felipe Brandão de Mello chefiava a Secretaria Nacional de Inspeção do Trabalho desde 2023 e sua destituição foi publicada no Diário Oficial desta segunda-feira. Ele supervisionou a unidade responsável pela aplicação das normas trabalhistas em todo o país, incluindo a luta contra as condições de trabalho análogas à escravidão.
A Associação Nacional de Inspetores do Trabalho, conhecida como Anafitra, disse que as demissões foram uma retaliação institucional e estão diretamente relacionadas à lista negra da BYD.
Rodrigo Carvalho, inspector do trabalho e membro da comissão executiva nacional da Anafitra, afirmou num comunicado enviado à imprensa: “Despedir um agente da lei é um acto muito grave. Prejudica a independência da inspecção do trabalho e ameaça décadas de políticas públicas”.
A associação acrescentou que o incidente se enquadra num “padrão de interferência do ministro do Trabalho, Luís Marinho, no processo administrativo geral”.
Anafrata acusou Marinho de usar sua posição ministerial para proteger grandes empresas das consequências do trabalho escravo e disse que abriu um processo no Supremo Tribunal Federal do Brasil visando declarar inconstitucional uma disposição do código do trabalho que permite ao ministro lidar com processos de execução completos.



