As notícias da chuva negra em Teerã pareciam muito familiares para Najat Rahmanian enquanto ela navegava pelos alertas nas redes sociais e tentava entrar em contato com parentes em 8 de março.
Os ataques de drones israelenses atingiram grandes depósitos de petróleo e refinarias nos arredores da capital iraniana horas antes, incendiando combustíveis e lançando nuvens de fumaça preta, que se misturaram com nuvens de chuva que mais tarde despejaram produtos químicos tóxicos na cidade.
As declarações lembraram ao pesquisador iraniano um incidente semelhante ocorrido na cidade há 35 anos.
Rahmanian, professor de engenharia química e de petróleo na Universidade de Bradford, na Grã-Bretanha, lembrou que foi surreal. As roupas penduradas para secar ficaram manchadas e o ar ficou pesado. Ninguém sabia por quê.
Mais tarde, souberam que a cerca de 1.290 quilómetros (801 milhas) de distância, no Kuwait, centenas de campos petrolíferos tinham sido incendiados pelas forças iraquianas que lutavam contra as forças americanas e da coligação na Guerra do Golfo.
De acordo com um estudo de 2018 liderado por Jiamao Zhao, da Academia Chinesa de Ciências, as chamas de fuligem, hidrocarbonetos e dióxido de enxofre poluíram tudo acima do Irão e aceleraram o derretimento dos glaciares nos Himalaias.



