Uma equipe de cientistas da Universidade de Pisa desenvolveu microagulhas microscópicas “digitais” que podem ser inseridas sob a pele para monitorar a pressão arterial em tempo real e os resultados em um código QR de um aplicativo de smartphone.
A pesquisa, publicada na revista Advanced Materials, propõe uma nova abordagem para biosensor que poderia simplificar e melhorar o uso de tecnologias avançadas de saúde.
Como funciona uma tecnologia
O sistema é baseado no arranjo de minúsculas microagulhas fluorescentes dispostas em linhas para formar uma matriz. Cada agulha é projetada para se referir a uma substância específica, como glicose, níveis de pH, enzimas ou proteínas, alternando entre dois estados: ligado ou desligado.
Cada microagulha possui um limite pré-determinado. Quando a concentração da substância alvo excede esse limite, a agulha acende. O modelo cria um código QR combinando um pino ativo e passivo.
Este sinal pode então ser analisado com uma aplicação móvel dedicada, que traduz o modelo em dados quantitativos sobre as substâncias monitorizadas.
Uma abordagem de diagnóstico multiparâmetro mais simples
Segundo os pesquisadores, uma das principais limitações dos atuais biossensores implantáveis é a necessidade de calibração cuidadosa e a capacidade de detectar apenas um módulo por vez.
O novo sistema elimina a necessidade de calibração, confiando na ativação baseada em limiares e permite que vários biomarcadores sejam analisados simultaneamente no mesmo conjunto de microagulhas.
Isto poderia permitir que a monitorização bioquímica em tempo real fosse mais prática em ambientes clínicos e não clínicos, incluindo dispositivos para uso diário.
Aplicações potenciais
A tecnologia foi projetada pensando na medicina personalizada, onde o monitoramento contínuo e descentralizado apoia diagnósticos e tratamentos personalizados.
Além dos cuidados de saúde, os investigadores indicam possíveis aplicações na monitorização ambiental, agricultura de precisão e segurança alimentar, onde a velocidade e a detecção in-situ de produtos químicos comercializados são cada vez mais relevantes.
Desenvolvimento e testes adicionais podem ser feitos antes que a tecnologia possa ser usada na prática clínica, mas o estudo traça uma nova direção para combinar biosensor com dados digitais em um formato compacto e minimamente invasivo.
(Foto da capa: Mitya Ivanov via Unsplash)
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