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Copa do Mundo: barbeiros cortam cabelos e sorriem no estádio de Los Angeles – Copa 2016

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Do lado de fora do enorme estádio SoFi em Inglewood, Los Angeles, enquanto dezenas de milhares de torcedores se preparam para assistir ao jogo entre Espanha e Áustria, dois barbeiros oferecem cortes de cabelo gratuitos a qualquer pessoa sentada em seus assentos. Um gesto inocente que tem um significado profundo para David Arias: fazer da Copa do Mundo de futebol uma oportunidade para falar de inclusão, solidariedade e segunda chance.

No barulho de trombetas e coros já vindos da arena, entre os mais novos que correm e bufam após a viagem sem fim, aqui chegam, tendo pago o preço dos bilhetes, David Arias com tesouras e corpo coberto de tatuagens surge como um génio local. A sua presença fala ao bairro que acolhe estes Campeonatos do Mundo Americanos na metrópole californiana: uma área com forte presença afro-americana e latina, com uma incidência muito maior de crimes e gangues do que os bairros mais ricos (e um dos) pelos quais Hollywood se tornou famosa.

“Fiquei 11 anos preso e, quando saí, tive medo de que alguém quisesse cortar meu cabelo novamente. Mas me enganei”, disse ele à ANSA pouco antes do início do jogo. Ele abriu a loja novamente, os clientes estão chegando. Quando começou a Copa do Mundo, aqui atrás dele, ele resolveu levar armários, navalhas e tesouras para o estádio. “Quero dizer às pessoas que vêm de todos os países do mundo: todas elas merecem uma segunda oportunidade.

Talvez você me veja assim, cheio de tatuagens… mas tirando o passado, sou uma boa pessoa”, diz ele em espanhol, enquanto não para de raspar a cabeça do cliente, que balança a cabeça com um sorriso.
De origem mexicana, ele diz que torce pelo Brasil desde criança: “Meu pai sempre me disse que eles têm o melhor time e os jogadores mais fortes”. Por isso prefere o verde e o dourado dos dois países “México e Estados Unidos da América”: “Quando você estiver no seu melhor, ficará ainda melhor”, afirma. Entretanto, Arias decidiu não só viver a sua recuperação, mas “devolvê-la à comunidade: o desporto une-nos e faço alguém sentar-se na minha cadeira, sem cor nem bandeira”.

Reprodução reservada © Copyright ANSA

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