Do lado de fora do Couch Stadium, em Los Angeles, onde o Irã enfrentará a Nova Zelândia no dia 15 de junho, essa tensão está à mostra.
Os opositores do governo reúnem-se em Teerão agitando a bandeira do leão e do sol. Era a bandeira do Irão antes da Revolução Islâmica de 1979 e, para muitas pessoas, aqui é um símbolo de resistência contra o regime actual.
À distância, parecem bandeiras iranianas.
Mas um olhar mais atento revela o simbolismo que está no cerne da controvérsia.
Aqui, o leão e o sol representam o Irão para os manifestantes.
“Esta é uma posição contra a República Islâmica. Esta é a verdadeira bandeira do Irão”, disse Arzu Rashidian, um dos organizadores do protesto.
Dizem que a insígnia nas camisolas da selecção nacional representa um regime que querem acabar. Esta bandeira pós-revolucionária tem as mesmas listras verdes, brancas e vermelhas, mas também apresenta o símbolo islâmico de quatro crescentes e uma espada vermelha. O texto árabe ‘Allahu Akbar’, que se traduz como ‘Alá é o Maior’ e recitado pelos muçulmanos durante a oração, também aparece na bandeira.
Muitos dos que se reuniram em frente ao Estádio SoFi acusam a República Islâmica de usar o jogo para reprimir a dissidência em casa, bem como para legitimá-la no exterior.
“O objectivo é a mudança de regime. Estamos aqui para mostrar solidariedade com o povo do Irão”, afirma Rashidian.
Ela diz que é contra o “assassinato em massa de pessoas que protestavam livremente” em Janeiro e Fevereiro, referindo-se aos protestos antigovernamentais e à repressão generalizada por parte das forças governamentais que deixou milhares de mortos.
Na altura, as autoridades estatais reconheceram vários milhares de mortes, enquanto grupos de activistas e fontes médicas divulgavam registos de tiroteios em massa, hospitais sobrecarregados e morgues que indicavam a verdadeira escala da violência.



