Um torneio com 64 equipes tem dois grandes pontos positivos: um formato mais natural e mais oportunidades para nações emergentes.
É esta última que Infantino defende, especialmente depois do heroísmo de Cabo Verde.
A FIFA enfrentou críticas antes do torneio, com sugestões de que os times extras não seriam competitivos.
Cabo Verde empatou então com Espanha e Uruguai para terminar em segundo no seu grupo. E os Blue Sharks levaram a Argentina às oitavas de final na prorrogação, antes de perder por 3 a 2 com um empate enfático.
Mas os contos de fadas devem ser equilibrados com a vantagem competitiva do torneio.
Haiti, Iraque, Jordânia, Panamá, Tunísia e Uzbequistão não conseguiram somar nenhum ponto – e houve uma ameaça mínima para as principais nações na fase de grupos deste verão.
Adicione mais equipes e seria difícil ver os quatro primeiros colocados, como Bélgica (2022), Alemanha (2018), Espanha (2014), Itália (2010) e França (2002), falhando na fase de mata-mata.
A questão então é para onde irão os espaços extras.
Com base nas eliminatórias deste ano, estes são os países adicionais que teriam chegado à Copa do Mundo de 2026 com 64 seleções (entre parênteses com a classificação da FIFA no início do torneio):
AFC: Indonésia (118), Omã (79), Emirados Árabes Unidos (68).
UEFA: Dinamarca (21), Itália (12), Polónia (36).
Concacaf: Honduras (65), Jamaica (71), Suriname (125).
Conmebol: Bolívia (77), Venezuela (49).
OFFC: Nova Caledônia (151).
África: Burkina Faso (62), Camarões (44), Gabão (86), Nigéria (26).
Seis destas equipas estão no top 50 do ranking mundial da FIFA – três da Europa, duas de África e uma da América do Sul.
E é aí que reside o problema. Ásia e Concacaf são confederações fracas, como evidenciado pelo desempenho deste ano.
Nove das 10 nações africanas foram eliminadas da fase de grupos. Mas apenas dois dos nove países asiáticos progrediram, e apenas três dos seis países da CONCACAF – os co-anfitriões – conseguiram.
A Nova Zelândia, que somou um ponto e está em último lugar no grupo, é o único país da Oceania entre os 150 melhores do mundo.
Um argumento é que, se expandirmos novamente, devemos dar à Europa mais peso em termos de lugares apenas para o equilíbrio competitivo.
Mas, por outro lado, há quem argumente que trazer mais equipas para o Campeonato do Mundo permite, em última análise, que o desporto se desenvolva ainda mais nesses países.
Infantino venderá esta expansão como sendo boa para o jogo global, mas é preciso duvidar que seja boa para a competição.
Cerca de um terço das 211 nações da FIFA participarão.
A fase de grupos não se tornará apenas uma espetacular competição de qualificação pan-confederal para o que é, essencialmente, um torneio eliminatório?



