A trajetória profissional do Itaúma foi curta, mas brutal. Ele lutou boxe apenas 26 rounds em sua carreira profissional – e muitos deles foram cortados.
Ele nocauteou Marcel Bod em apenas 23 segundos em sua estreia na Wembley Arena, em janeiro de 2023. Mas, assim como a luta das brancas, o final precoce trouxe pouca alegria.
“Eu não me importei”, ele reflete. “Meu irmão sofreu sua primeira derrota, literalmente, minutos atrás. Para ser sincero, eu nem queria lutar naquele dia.”
A família Itaúma é o centro da história. Seu irmão, o meio-pesado Karol Atuma, fica atrás das câmeras durante o plantão da semana da luta. O vínculo foi feito viajando 1.600 quilômetros de Kieszmaruk, sob as montanhas Tatra, na Eslováquia, até Chatham, em Kent.
Filho de mãe eslovaca e pai nigeriano, os seus primeiros anos foram marcados pelo racismo e pela procura de um lugar ao qual pertencer.
“Eu e meus irmãos não parecemos muito eslovacos e o tipo de oportunidades limitadas que podemos ter neste país”, diz Itauma.
“Minha mãe pensava: talvez se eles se mudassem para um país onde pessoas de origem mestiça fossem mais comuns, eles teriam mais oportunidades e uma educação melhor.”
Esses sacrifícios influenciaram todas as decisões que se seguiram. Itaúma começou no boxe aos nove anos, mas só aos 14 é que decidiu levar o boxe a sério.
“Minha mãe sacrificou muito para vir para a Grã-Bretanha”, diz ele. “Eu preciso fazer isso. Então, sim, é difícil, mas estou feliz que minha mãe tomou as decisões e obviamente estou seguindo em frente.”
Essa mentalidade de “família em primeiro lugar” o levou às Olimpíadas para assinar com o Team GB para a Queensberry Promotions de Frank Warren.
“O resumo é que minha família precisava de dinheiro”, acrescenta.



