Há um ano, depois de mais de uma década na Grã-Bretanha e vários anos nos Estados Unidos – incluindo algum tempo a trabalhar para as Nações Unidas na cidade de Nova Iorque – regressei à Ásia e cheguei a Hong Kong, na esperança de que este fosse também um importante centro de relações internacionais.
Hong Kong é frequentemente descrita como um “superconector” entre a China e o mundo. No entanto, num domínio importante – o estudo e a prática das relações internacionais – a cidade continua a ser um paradoxo: globalmente ligada, intelectualmente vibrante, mas estruturalmente periférica.
Não é por falta de talento ou de instituições. As universidades de Hong Kong hospedam acadêmicos treinados internacionalmente, segurança regional e estudos de área com foco na Ásia. Sua pesquisa circula nas principais revistas e contribui para debates globais.
E, no entanto, Hong Kong não emergiu como um grande centro de relações internacionais comparável à cidade de Nova Iorque ou mesmo a Singapura. As razões não estão na capacidade, mas na estrutura da história e da geografia.
Um fator é o colonialismo. Sob o domínio britânico, Hong Kong desenvolveu gradualmente um sistema de ensino superior de classe mundial que estava entre as principais instituições educacionais do mundo. Esta fundação permitiu que os acadêmicos se envolvessem perfeitamente com a disciplina das relações internacionais. Mas o domínio colonial também significou que Hong Kong nunca desenvolveu os seus próprios instrumentos de política externa.
As decisões sobre diplomacia, estratégia e envolvimento internacional foram tomadas noutros lugares. As relações internacionais evoluíram como um campo académico, transcendendo os estudos ou a ciência política da China, e não como um ecossistema baseado em políticas ligado à tomada de decisões em tempo real. Essa ausência estrutural persiste.



