O Paquistão deverá tornar-se o mais recente parceiro na rede comercial centrada na China, conhecida como Iniciativa Cinturão e Rota, a vender “Títulos Panda”.
Islamabad está a tentar angariar até 250 milhões de dólares através da primeira venda de obrigações – instrumentos de dívida denominados em yuan vendidos por entidades estrangeiras no mercado onshore da China continental – no início desta semana.
O Ministro das Finanças, Muhammad Aurangzeb, confirmou no sábado que Islamabad estava a preparar-se para explorar os mercados de capitais chineses com a venda – a primeira parcela de um programa mais amplo de mil milhões de dólares que Islamabad tem vindo a prosseguir desde pelo menos Dezembro.
Segundo a Bloomberg, as obrigações a três anos, que apostam no desenvolvimento sustentável, vão garantir 95 por cento da dívida emitida pelo Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (AIIB) e pelo Banco Asiático de Desenvolvimento.
O plano surge num momento em que o Paquistão acelera o seu regresso aos mercados de capitais internacionais, após anos de instabilidade financeira. Aurangzeb disse que o país angariou com sucesso 750 milhões de dólares em Abril através da venda de Eurobonds – dívida internacional geralmente denominada em dólares americanos, apesar do nome. Marcou a primeira venda internacional de títulos de Islamabad em quatro anos.
As obrigações Panda acrescentarão ao esforço uma fonte de financiamento denominada em yuan, permitindo à nação beneficiar de taxas de juro chinesas mais baixas do que o custo mais elevado do empréstimo em dólares americanos.
A estrutura reflecte o modelo sinalizado por Aurangzeb já em 2025, quando disse que Islamabad replicaria a extensão de crédito apoiada pelo AIIB do Egipto para aceder aos mercados de capitais locais da China. Ele descreveu a medida como “absolutamente crítica” para os esforços de diversificação da base de financiamento do Paquistão. O Paquistão tem enfrentado problemas de dívida persistentes nos últimos anos, tendo recebido um resgate de 7 mil milhões de dólares do Fundo Monetário Internacional em 2024, depois de ter sido levado à beira do incumprimento em 2023.



