Quase todo mundo conhece esse sentimento, embora nem todos se lembrem dele imediatamente.
É noite. Eles voltam para casa depois do jantar, visitam parentes e passam o dia na praia. O carro estava envolto em escuridão e a única luz vinha da corrida na pista. Então algo muda. Uma opinião perversa. Argumentação. A raiva ressurgindo. Papai é chato ao volante. Acelerar.
Ninguém diz nada, mas todos percebem.
curvas mais acentuadas. uma consequência mais abrupta. O tom do motor aumenta. No banco de trás, as crianças ficam em silêncio. eles olham pela janela ou fixam o trono à sua frente. O medo não está apenas na velocidade, mas na percepção repentina de que quem dirige não está mais apenas dirigindo um carro.
O escritor francês Neige Sinno usou esta imagem para falar sobre poder. Mas a metáfora parece deixar a conclusão.
Porque a emoção dominante do presente não pode ser o medo. Pode ser impotência.
No mundo em que vivemos é possível entrar no mundo em poucas horas sem sair do quarto. A guerra, fogo, clima, diálogo. Longe da política do estado. Todas as imagens sem hierarquia alcançam a mesma distância.
Nunca foi visto antes.
Ele nunca tinha sido capaz de se mover tanto antes.
Durante a maior parte da história, o que todos temiam tinha acontecido, o que estava acontecendo. Era um mundo menor, mas não totalmente separado da ação. O agricultor, o trabalhador, o comerciante: a distância entre o problema e a intervenção foi menor.
O vínculo foi quebrado hoje.
Podemos nos envolver em quase tudo. Mas podemos intervir muito pouco diretamente.
o preço da energia muda a guerra distante. Uma consulta foi feita em outro lugar sobre os efeitos do trabalho, cuidados e poupanças. As alterações climáticas afectam as colheitas, os seguros e a migração. Tudo está conectado e por isso tudo parece nos pertencer.
Mas isso não significa que seja possível agir.
Daí surge uma forma de experiência difícil de nomear. Não é apenas ansiedade. Não são apenas informações. É a experiência de presenciar algo do qual se está excluído enquanto se desenvolve.
Para ver Para entender. Aja internamente. E acesso à roda.
Também é chamada de combinação de hipersenso e falta de poder.
Mas talvez não apenas até onde sabemos. Pelo qual sabemos.
Os problemas coletivos surgem de forma individual. outro, outro Na tela do celular, no silêncio do quarto, antes de dormir. E assim foi discutido: sozinho, por assim dizer, para resolver uma mente. É daí que vem parte da impotência de hoje. Não porque a virtude esteja ausente, mas porque a forma do mal é sentida.
A mudança real raramente é individual. Pertence a formas coletivas: movimentos, organizações, pressões difusas, acumulações lentas. Mas essas formas são difíceis de perceber na vida cotidiana. Vive sozinho aquele que está sozinho com os outros;
Talvez o paradoxo actual seja este: estamos mais ligados do que nunca, e ainda mais só porque isso acontece. Recebemos a mesma mensagem, mas não no mesmo espaço. Certamente estamos compartilhando a mesma resposta, mas não a mesma.
Talvez não haja dúvida se deveríamos saber mais. Nem se mais. Muitos já sabem o suficiente. Muitos já estão fazendo o que podem.
Outra questão é: para onde vai aquilo que conhecemos, quando não encontra um lugar onde algo comum possa ser feito?
No banco de trás não está o único medo da velocidade. Significa também que ninguém pode mudar a direção da estrada sozinho.
E ainda assim, ao contrário da infância, somos forçados a permanecer lá por mais tempo.
Mas não está nada claro o que significa, para os adultos, entender que o carro só pode andar sem problemas quem está no volante.
(Foto da capa: Epistula Kaws, Palazzo Strozzi, 2025)
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Eirini Lavrentiadou é atriz e cantora, nascida em Salónica em 1992. Nasceu em Florença, onde estudou na academia de teatro da cidade e na escola de música Faesula. Atuou em música clássica grega e europeia, trabalhou com maestros e companhias internacionais e apareceu em concertos que vão da ópera ao jazz. Ela contribui para o Florence Daily News.
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