
Uma publicação nas redes sociais, há mais de dois anos, do Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na qual dizia que os presidentes dos EUA não deveriam ter autoridade para “se retirarem unilateralmente da NATO”, ganhou atenção renovada. Esta aparição surgiu na sequência de declarações recentes do Presidente Trump, nas quais indicou que reavaliaria o papel dos Estados Unidos na coligação assim que terminassem as hostilidades em curso com o Irão.
Em postagem de dezembro de 2023 na plataforma de mídia social da época, Rubio destacava a aprovação pelo Senado do projeto de lei que defendeu, que visa impedir que qualquer comandante-em-chefe saia da aliança histórica sem a aprovação do Congresso. O político da Florida introduziu a medida, que foi incorporada na Lei anual de Autorização de Defesa Nacional, como mecanismo principal de supervisão legislativa.
“Devemos garantir que protegemos os nossos interesses nacionais e protegemos a segurança dos nossos aliados democráticos”, disse ele numa conferência de imprensa separada durante esse período. A postagem 2023 X se tornou viral na quarta-feira, depois que o secretário de Estado e Trump insinuaram que Washington poderia reconsiderar seus laços com a OTAN devido ao crescente atrito com parceiros europeus. Na tarde de quarta-feira, a mensagem teve 2,3 milhões de visualizações.
Em resposta, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, comentou na plataforma, dizendo: “Posso prometer-vos isto: o Senado não votará para deixar a NATO e abandonar os nossos aliados só porque Trump está chateado por eles não concordarem com a sua guerra imprudente de escolha.” Schumer também expressou gratidão a Rubio pela sua legislação de 2023, que prevê uma maioria de dois terços no Senado “para garantir que presidentes ignorantes não possam agir por capricho”.
Durante uma aparição televisiva na terça-feira, Rubio reconsiderou a sua posição anterior, reconhecendo que já tinha visto “grande valor” na parceria porque permitiu aos Estados Unidos “projectar poder em diferentes partes do mundo” durante ameaças à segurança nacional. No entanto, ele afirma agora que a OTAN aparece cada vez mais como uma “via de sentido único”, citando a relutância de muitos líderes mundiais em apoiar as acções militares dos EUA contra Teerão.
Países como a Itália e a Espanha recusaram-se a utilizar as suas instalações para aeronaves dos EUA envolvidas no conflito, enquanto a França e a Espanha impuseram restrições ao espaço aéreo. Rubio questionou a utilidade da aliança durante uma entrevista com Sean Hannity, perguntando por que existem trilhões de dólares e grandes forças dos EUA na região: “Se pudéssemos usá-los, não poderíamos, em um momento de necessidade, usar essas bases?”
A relutância dos membros europeus em enviar navios de guerra para proteger os petroleiros no Estreito de Ormuz teria irritado Trump, que recentemente descreveu os membros da NATO como “covardes” e um “tigre de papel”. Numa entrevista ao The Telegraph, Trump disse: “Nunca fiquei impressionado com a NATO. Sempre soube que eles eram um tigre de papel e, a propósito, (o presidente russo Vladimir) Putin também sabe disso.”
Apesar da tensão atual, Rubio já tinha dito à CBS News em 2024 que a sua legislação de 2023 não era especificamente dirigida a Trump, expressando a sua convicção de que o presidente não se retiraria realmente da coligação. Na altura, sugeriu que Trump iria simplesmente “exigir que alguns países da NATO fizessem mais” à sua maneira “não convencional”.
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