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“É assim que todo o governo é pago”

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(Buenos Aires).- Andrés Malamud, cientista político, mais uma vez deu uma forte definição de si mesmo ao analisar a disputa pela renda dos funcionários nacionais. Depois de se referir ao caso de Manuel Adorni e à função das recompensas no governo, afirmou que este é um problema muito mais amplo e estrutural. Ele esclareceu: “Todo o governo recebe salários assim. O governo não funciona se não receber salários assim”.

Essa afirmação foi feita em entrevista neste programa Depois do escritório agoraonde analisou os mecanismos informais de recompensa que, na sua opinião, existiam há décadas nos vários níveis da administração pública.

Um problema que vai além de um problema oficial

Segundo Malamud, a discussão sobre alguns dirigentes não deve centrar-se apenas em nomes específicos. Segundo explicou, por trás de cada polêmica parece haver uma questão mais profunda relacionada à estrutura salarial do Estado argentino.

Disse nesta entrevista: “Este é um problema estrutural. Deste ponto de vista, considerou que a administração pública enfrenta problemas para atrair e reter profissionais qualificados devido à rigidez das escalas legais.

Segundo ele, essa situação levou historicamente ao surgimento de mecanismos alternativos de complementação de renda. “Os governos não têm capacidade para abolir a pirâmide salarial. Por isso querem dar mais dinheiro a quem mais precisa e fazem-no ilegalmente ou, como dizem, de forma opaca”, disse.

A dificuldade de reformar o governo

Este especialista em ciência política garantiu nesta conversa que esta discussão ultrapassa uma administração específica e este é um procedimento que tem sido realizado em diferentes governos.

Conforme explicou, quem vem para o estado muitas vezes encontra restrições que não percebeu de fora. É por isso, argumentou, que muitos governos acabam recorrendo a ferramentas semelhantes para resolver problemas operacionais.

Referindo-se à falta de reformas fundamentais no sistema salarial do sector público, disse: “Ninguém tem coragem de lidar com isso”.

Malamud também considerou que qualquer esforço sério de transformação deveria incluir uma discussão sobre como pagar os funcionários do governo e o pessoal técnico. “Se você quer que boas pessoas trabalhem, você tem que pagá-las bem”, assegurou.

Uma discussão que voltou ao centro do palco

Os comentários do analista surgiram no meio de um debate público acirrado sobre os rendimentos das autoridades nacionais e a utilização dos fundos poupados. No entanto, a sua abordagem foi além da situação e procurou concentrar-se num problema que, segundo ele, permanece sem solução há décadas.

Nessa perspectiva, considerou que os conflitos que surgiam periodicamente em torno das recompensas eram o resultado de uma estrutura que nenhum governo conseguiu reformar definitivamente.

No final, disse: “Todo o governo gasta assim. O governo não funciona se não gastar assim. Este é um problema estrutural e ninguém se atreve a enfrentá-lo”.

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