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Por trás das fotos: como uma mulher fugindo das bombas americanas na Venezuela capturou o medo e o caos daquela noite

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CARACAS (AP) – Enquanto as explosões aconteciam durante a noite na amena capital da Venezuela, Mariana Camargo, de 21 anos, corria pelas ruas do leste de Caracas.

Eram 2h05 e, com explosões ao fundo, o fotógrafo da Associated Press Matías Delacroix estava na rua tirando o que se tornaria uma das primeiras imagens de uma operação militar americana na Venezuela.

Poucos dias depois – depois de o presidente venezuelano Nicolás Maduro ter sido substituído pelo seu vice-presidente após a sua detenção pela administração Trump – Camargo e Delacroix encontraram um momento de tranquilidade no mesmo local onde a foto simbólica foi tirada.

“Uma mulher chegou em um caminhão grande e gritou quando ele parou e disse ‘meninos, o que vocês estão fazendo aqui, vão para casa, eles estão bombardeando!” Camargo lembra. “Éramos cerca de nove pessoas e pensamos ‘Tudo bem, vamos correr’. Começamos a correr e passamos por aqui.”

As imagens mostram Camargo de camisa branca e calça jeans, correndo pela rua, com medo e urgência estampados no rosto, com um grupo de amigos correndo atrás dele. Ele disse que viu Delacroix parado ao lado enquanto tirava a foto.

Foi essa emoção que chamou a atenção de Delacroix, que poucos minutos antes havia sido acordado pelo som estrondoso de um ataque americano, pegou sua câmera e correu pela rua em direção à explosão. Foi ali, ao som de aviões militares, que os dois se encontraram: um fugindo da explosão e o outro correndo em sua direção.

“O que me chamou a atenção foi como você estava correndo, com o celular e claramente assustado. Tenho uma foto do seu amigo atrás de você, mas das duas fotos é a sua que melhor revela o que aconteceu”, disse Delacroix a Camargo enquanto folheava as fotos.

À medida que a foto continuava a aparecer nas primeiras páginas e nos sites dos maiores meios de comunicação do mundo, imortalizando um momento que mudaria o hemisfério, os amigos de Camargo começaram a vê-la e a escrever sobre ela em suas mensagens em grupos de WhatsApp.

“Eu tropecei ou foi Nana Mariana???” perguntou um de seus amigos enquanto postava uma foto da foto. (Na Venezuela, Nana é o apelido de Mariana.)

“Essa é a NANA!” outro amigo escreveu logo depois.

A foto aos poucos virou alvo de piadas em seu grupo de amigos e até virou meme com a legenda “os estrangeiros chegaram!” escrito nele. Camargo riu enquanto folheava as mensagens.

“Agora estou rindo, estou rindo olhando a foto. Minha mãe está rindo, meus amigos também. Eles fazem adesivos, memes e assim por diante”, disse Camargo. “Mas ainda vejo o vídeo do que aconteceu naquele dia, da explosão, ouço o som e ainda sinto pânico.”

No domingo, dia seguinte à greve e ao caos, Camargo escreveu para Delacroix por meio de sua conta no Instagram, perguntando se tinha mais fotos daquela época.

Quando se conheceram na terça-feira, conversando na rua, os dois se separaram abraçados.

“Coisas malucas acontecem comigo o tempo todo”, diz ele rindo. “É claro que acabei na rua durante um atentado e me tornei viral. É uma loucura.”

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A repórter da Associated Press, Megan Janetsky, contribuiu para este relatório da Cidade do México.

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