BUNIA, Congo – O Congo receberá 70.000 doses da vacina Ervebo, que foi eficaz em surtos anteriores de Ébola, anunciaram na quinta-feira a Organização Mundial de Saúde e os seus parceiros, anunciando uma medida vista como um grande impulso aos esforços para conter o que as autoridades descreveram como o surto de Ébola de crescimento mais rápido na história.
A vacina Ervebo está licenciada para utilização contra o vírus Ébola, um dos vírus que causa o Ébola, mas não contra o vírus Bundybug, responsável pelo surto actual, que até agora matou 2.476 pessoas em 5.208 casos confirmados.
A Organização Mundial da Saúde disse num comunicado que embora não se saiba se Ervebo pode proteger contra o vírus Bundibugyo, “dados preliminares de laboratório e animais sugerem que pode fornecer alguma proteção”.
A alocação inclui 20 mil doses para um ensaio clínico de fase 3 para compreender o efeito da vacina sobre o vírus Bundibugyo, disse a agência.
As 50.000 porções restantes serão utilizadas para profissionais da linha de frente e de saúde, conforme recomendado pelos especialistas da Organização Mundial da Saúde.
O surto que assola seis distritos no leste do Congo infectou e matou mais pessoas mais rapidamente do que qualquer outro surto de Ébola na história e está a espalhar-se três vezes mais rapidamente do que o surto de 2016-2014 em toda a África Ocidental – o surto de Ébola mais mortal da história, com mais de 11.000 mortes.
O Grupo Internacional de Coordenação de Imunização, que inclui a Organização Mundial da Saúde e outros parceiros, disse que as doses seriam disponibilizadas imediatamente após pedido do governo congolês.
O Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou a aprovação como “um exemplo importante de solidariedade global em ação”.
Ele disse que a agência e os seus parceiros continuam empenhados em apoiar o reforço da vigilância, a detecção rápida, os cuidados de qualidade, o envolvimento da comunidade e os esforços de imunização para controlar o surto.
A falta de vacinas ou tratamentos aprovados para o raro vírus Bundibugyo foi um grande problema para os respondentes.
A maioria dos novos casos foi notificada fora de pessoas sob vigilância, mostrando que o vírus continua a espalhar-se mais rapidamente do que os esforços para o rastrear.
Foi um dos principais contribuintes para as mortes registradas.
A taxa de mortalidade de casos até agora é de 47,5%, embora seja muito pior em alguns locais onde os esforços de resposta são mais difíceis, como a província de Kivu do Norte, onde a taxa de mortalidade chega a 70%.
Os especialistas acreditam que o vírus começou a se espalhar a partir da cidade mineira de Mungboolo já em fevereiro, meses antes de as autoridades anunciarem o surto, em 15 de maio.


