A Grã-Bretanha e nove outros países europeus concordaram em construir uma rede de energia eólica offshore no Mar do Norte, num acordo histórico para transformar a envelhecida bacia petrolífera num “reservatório de energia limpa”.
Os países construirão centrais eólicas no mar ligadas diretamente aos países através de cabos submarinos de alta tensão, no âmbito de um plano que deverá fornecer 100 GW de energia eólica offshore, ou capacidade elétrica suficiente para abastecer 143 milhões de residências.
O compromisso, que será delineado numa “declaração de Hamburgo”, deverá ser assinado na segunda-feira pelos ministros da energia do Reino Unido, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Países Baixos e Noruega.
O secretário de Energia, Ed Miliband, disse que o Reino Unido estava “defendendo o interesse nacional”, pressionando por energia limpa e “saindo da montanha-russa dos combustíveis fósseis”.
O pacto surge menos de uma semana depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter criticado os planos britânicos de suspender a produção de petróleo e gás no Mar do Norte e se ter queixado das centrais eólicas na Europa.
Ele disse no Fórum Económico Mundial em Davos na semana passada: “Há moinhos de vento por toda a Europa. Há moinhos de vento por toda a parte e estão a perder dinheiro. Uma coisa que notei é que quanto mais moinhos de vento um país tiver, mais dinheiro perde e pior fica o país.”
Este último acordo reafirma o compromisso da Europa com a energia eólica, depois de há três anos os países do Mar do Norte se terem comprometido a construir 300 GW de centrais eólicas offshore na região até 2050. A nova rede de energia eólica offshore contribuirá para este objetivo.
Espera-se também que Miliband assine uma declaração de intenções com a Alemanha, a Bélgica, a Dinamarca e os Países Baixos para abrir projetos de energia offshore transfronteiriços, com foco no planeamento conjunto e na partilha de custos.
A Energy UK, a associação comercial do setor no Reino Unido, disse que apoia totalmente “esforços importantes… para transformar o Mar do Norte num centro regional de energia limpa”.
Dhara Vyas, CEO da Energy UK, afirmou: “Uma cooperação mais profunda nas cadeias de abastecimento, na normalização e nas infraestruturas partilhadas não é apenas uma necessidade estratégica, mas é a forma mais eficaz de reduzir os custos de energia para as famílias e as empresas, ao mesmo tempo que impulsiona o crescimento económico sustentável e empregos de elevado valor nos próximos anos”.
No ano passado, a energia eólica e solar ultrapassou a utilização de combustíveis fósseis na produção de electricidade na União Europeia, gerando 30% da electricidade da União Europeia.
No Reino Unido, o governo concedeu este mês o seu contrato de subsídio mais elevado a um projecto eólico offshore, numa tentativa de atingir o seu objectivo de criar um sistema eléctrico amigo do ambiente até 2030.



