
-Você tem muitas variantes para simples mas nas duplas aparecem Molteni e Zeballos…
-Sim, mas lembre-se que o Andreozzi também está lá e levamos isso em consideração.
eu tinha acabado de assumir Javier França como capitão da seleção argentina Copa Davis e em sua primeira conversa com Clarim foi aquela declaração primeiro e aquele esclarecimento em resposta. Pouco mais de um ano se passou desde aquela conversa e Guido Andreozzi Ele é definitivamente o segundo melhor jogador de duplas argentino atrás Horácio Zeballos tendo alcançado seu primeiro no deserto da Califórnia Mestres 1000.
Andreozzi, um produto genuíno de um tradicional clube de tênis de Buenos Aires como Harrods, se dava bem com os franceses Manuel Guinard o título de Poços Indianos. No caminho para a final derrotaram ninguém menos que os campeões australianos (Harrison-Skupski) nas quartas-de-final e os principais favoritos (Granollers-Zeballos) nas semifinais e na final venceram os primos Rinderknech e Vacherot em dois sets. E fizeram tudo isso jogando tênis de altíssimo nível.
Andreozzi é o típico bom jogador de simples que, prestes a deixar o tênis, se deu uma segunda chance nas duplas. E aqui qualquer semelhança com a carreira de Zeballo não é mera coincidência.
O Mar del Plata, que venceu uma final contra Rafael Nadal no saibro (Viña del Mar 2013), teve em Alexandre Lombardo para um treinador que, mais palavras, menos palavras, um dia disse: “Não desligue a raquete e dê a si mesmo uma chance nas duplas.” O filme teve o melhor final e Zeballos alcançou o primeiro lugar no mundo e venceu – atualmente – dois Grand Slams.
Andreozzi, por sua vez, alcançou a 70ª colocação mundial em simples em 2019 e no primeiro semestre de 2022, em decorrência de lesão e cansaço no circuito, Ele passou cinco meses sem jogar tênis. Até que um reencontro um tanto fortuito ocorreu na Argentina com Gaston Etlisque o treinou por um curto período cinco anos antes. “Fiz um rali com uma menina e ao meu lado estavam o Guido e o ‘rato’ Durán”, lembra o ex-jogador de duplas.
“Nós três já éramos muito amigos e quando o vi treinando percebi que eles faziam qualquer coisa em quadra. Foi quando o Guido me disse que queria jogar de novo e eu disse que poderia dar uma mão. No dia seguinte ele me ligou e disse que estava aqui para trabalhar comigo”, finaliza.
Andreozzi voltou a jogar algumas partidas de simples, mas com Durán começou a se entusiasmar com as duplas. Eles começaram e no primeiro torneio venceram um desafiante em Corrientes. E imediatamente, em Todi. E mais tarde, um em Buenos Aires e outro no Rio de Janeiro. E em Guayaquil e São Leopoldo. Vejo você no desafiante Temuco Ele dobrou e ganhou os títulos de simples e duplas. Voltou a se entusiasmar com o single e que em 2022 o terminou entre os 400 primeiros quando em outubro havia caído para a 903ª posição no ranking.
Até que uma partida se tornou um divisor de águas, numa partida que poderia ter levado sua carreira a qualquer lugar: no cimento do ATP 500 de Acapulco, ele se classificou e na primeira rodada foi a vez do norueguês. Casper Ruudquarto lugar no mundo na época. Ele perdeu por 7-6 no terceiro set e a partida que poderia ter sido um reforço de confiança para continuar tentando individualmente o fez repensar sua carreira. Ele estava exausto, todo o seu corpo doía e demorou vários dias para se recuperar. Claro, ele já tinha 31 anos..
Já entre os 100 primeiros em duplas e outra conversa com Etlis decidiu que ele iria definitivamente para as duplas. No início foi difícil para ele entender, mas eventualmente ele progrediu. Em fevereiro de 2024, começou a tocar junto com o mexicano Miguel Reyes Varela e com isso conseguiu seu primeiro ATP em Umag. Depois, em 2025, ergueu o troféu de Buenos Aires com a França Theo Arribage e de Båstad com os holandeses Sander Arends. Até que em Flushing Meadows enfrentou o Guinard e embora a derrota no primeiro turno pudesse tê-los frustrado, continuaram tentando, no final do ano chegaram à final em Metz e agora alcançaram a glória em Indian Wells para enfrentar um ano de grandes expectativas por algo ainda maior.
Ter vencido com quatro companheiros diferentes não deveria ser surpresa. No caso do Andreozzi, faz parte da carreira de um jogador de duplas, do seu desenvolvimento. Guinard é um bom jogador, com muito potencial. E nisso se assemelham aos argentinos. A sua qualidade com a bola e o seu remate estão acima da média para os novos jogadores de duplas que surgiram. E no final, ambos também conhecem o melhor segredo de um bom casal: têm um bom companheiro ao seu lado.
Andreozzi sempre jogou tênis muito bem. Mas além disso, sua condição de ex-jogador de simples lhe permite ter um ótimo timing, invejável e reconhecido por todos para acertar a bola e suportar com estabilidade as trocas cruzadas do fundo da quadra que tanto se vêem nos atuais jogos de duplas. Ele tem força, boa velocidade e movimenta bem a bola, é muito completo e nos últimos anos aperfeiçoou o que é preciso para se destacar na especialidade: saca muito bem, tem um bom retorno e melhorou muito na rede. Mas o melhor de tudo é que ele se concentrou em aprender e continua a fazê-lo. E ainda tem muito que desenvolver.
Contra a Coreia do Sul, em Busan, Frana deu a ele sua primeira chance na Copa Davis. Aquele que Raphaelino praticamente atropelou. “Além de conhecermos um jogador muito bom, conhecemos de perto um menino calmo, reservado, que sempre precisa ser incentivado e dar forças, mas que tem uma contração grande para trabalhar”, definiu Frana que, aos 34 anos, vive uma segunda primavera no tênis. Desta vez dois e dois.



