O capitão do Manchester City, Bernardo Silva, deixará o clube no final da temporada.
O internacional português, de 31 anos, conquistou seis títulos da Premier League e uma Liga dos Campeões em nove temporadas com o Man City, mas sairá quando o seu contrato expirar, no final da atual temporada.
Falando em entrevista coletiva após a vitória do City por 4 a 0 na FA Cup sobre o Liverpool, no sábado, o assistente técnico Pep Lijnders confirmou que “todas as boas histórias chegam ao fim” e admitiu que o clube não poderá substituir seu capitão.
“Você nunca substitui um jogador pelo mesmo tipo de jogador, porque eles não existem. Bernardo Silva é único”, disse Lijnders, que está substituindo Pep Guardiola enquanto o técnico cumpre suspensão.
O holandês acrescentou: “A forma como controla o jogo, a forma como se movimenta, a forma como recebe a bola, a forma como lidera, a forma como vê soluções, todas estas coisas.
“Você nunca busca um substituto para um tipo de jogador, você busca o que é necessário para o time se desenvolver e alguém que possa se encaixar no time titular.
“E você espera que com a nossa academia, com os jovens jogadores que contratamos, eles também possam dar esse passo à frente na posição de meio-campo. Mas se você vir nossos jovens na academia, eles têm que dar esse passo e amadurecer.
“Mas o mais importante é que os seniores fiquem muito tempo, eles ficam, o núcleo está aí e em torno do qual se pode movimentar.
“Mas vai ser difícil, porque como eu disse, durante a partida, quando ele não joga, você vê o quanto ele perde. E isso é uma partida. Imagine uma temporada?
“Mas toda boa história tem um final.
Espero que ele aproveite seus últimos meses, faltando apenas seis semanas, ele terá uma despedida feliz e merece toda essa atenção.”
Análise: o mestre altruísta do Man City
Foi apropriado que a notícia da partida iminente de Silva fosse revelada. Depois de conquistar a Carabao Cup em Wembley, ele voltou para casa para desempenhar um papel fundamental na derrubada do Liverpool. Isso me lembra as palavras de Guardiola após a vitória por 3 a 0 sobre este time em novembro.
“Ele é um mestre”, disse Guardiola após aquela atuação excepcional. “Andar de um lado para o outro, ganhar a bola, acelerar, desacelerar, intuição (para saber) onde está o espaço, como lidar com as situações e tantas coisas. Ele é um dos jogadores mais inteligentes que já conheci.”
É assim que os torcedores do City se lembrarão do pequenino meio-campista. Eles vão relembrar os grandes momentos que, combinados com seu ritmo de trabalho incansável, o tornaram formidável. Seja no meio-campo ou na ala, ele tem uma resposta para sua equipe.
Guardiola o admira há muito tempo. Depois de uma primeira temporada sem título, a contratação de Ederson para o gol e a chegada de Kyle Walker para a defesa são muitas vezes vistas como momentos decisivos no verão de 2017. Mas a chegada de Bernardo foi crucial.
Sua atitude passou a simbolizar o que Guardiola deseja que o City se torne. Tecnicamente proficiente, é claro, mas também extremamente faminto. Um trabalhador coloca a equipe acima de si mesmo. Mesmo quando as coisas não vão bem. Guardiola nunca esquecerá essa parte.
Falando no início desta temporada, ele deixou isso claro e claro aos repórteres. “Bernardo lutou na temporada passada. Mas ele estava lá. Em todas as partidas. Exausto. Depois de 50 ou 60 minutos (das partidas da temporada passada), ele não conseguia correr nem mais um minuto”, explicou.
“Em algum momento, ele disse: ‘Pep, estou exausto. Minha mente não está mais lá, minhas pernas.’ Mas ele estava lá. E já disse muitas vezes aos meus jogadores e a ele que isso não será esquecido. É por isso que ele é meu capitão. Porque nos momentos ruins ele estava lá.”
Houve mais momentos bons do que ruins, já que Silva afeta o jogo tanto com sua atitude quanto com sua habilidade. Enquanto estava no Mônaco, ele os ajudou a derrotar o Paris Saint-Germain para ganhar o campeonato. Ele até conquistou o título da liga enquanto capitão da equipe B do Benfica.
O interessante é que sua mentalidade nem sempre foi a que é agora. O próprio Silva também atribui à influência de Fernando Chalana na academia do Benfica a abertura dos olhos. O jogador posteriormente descreveu aquela conversa como a mais importante de sua vida.
Chalana, jogador de 5’5″, disse ao adolescente Bernardo para não desanimar por não poder jogar na academia porque seria melhor que todos. Lembra-se de ter conversado com o treinador do Benfica, João Tralhão, sobre como isso mudou as coisas.
“Ele precisa mudar de mentalidade”, explicou Tralhão. “O futebol profissional vai colocar muitos obstáculos na sua frente e você não pode desistir, você tem que dar um passo à frente. Ele precisa entender o que pode e o que não pode fazer.” Funcionou.
Apesar do corpo pequeno, Silva se transformou em uma máquina de corrida, um personagem forte como poucos no jogo, liderando o Man City, criando reputação. Favorito de seus companheiros e torcedores, Silva não precisa do reconhecimento da Bola de Ouro.
Conversando com ele sobre isso no verão de 2024, ele ouviu pacientemente quando este jornalista lhe fez perguntas sobre prêmios individuais no futebol. Ele pensou sobre a questão. E então indique claramente a localização dessas bugigangas para ele.
“Na minha opinião, aprecio a importância destes prémios”, disse ele. “Porque, afinal, estamos praticando um esporte coletivo. Hoje em dia, os prêmios individuais vão sempre para os atacantes, porque são eles que tocam a bola por último.”
Ele acrescentou: “Quando olho para os prêmios individuais e vejo que apenas os artilheiros ganham prêmios, sinto que isso não representa bem o nosso esporte”. Para Silva, o maestro altruísta do Man City, sempre foi uma questão de equipe. Mas isso faz dele um indivíduo especial.



