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A convicção da Meta e do Google é um raio para as redes sociais

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A condenação da Meta e do Google por contribuírem para a depressão adolescente através do Instagram e do YouTube representa um ponto de viragem para as redes sociais, o que pode ter consequências graves para estas plataformas.

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Um tribunal civil de Los Angeles também considerou os dois gigantes da Califórnia responsáveis ​​por não alertarem adequadamente os jovens utilizadores sobre os perigos do consumo excessivo, apesar de estarem conscientes do risco.

Um júri em Santa Fé (Novo México) considerou Meta culpado na terça-feira por colocar em risco jovens usuários do Facebook e Instagram.

Violação legal contra redes de mídia social

Até agora, estas plataformas foram amplamente protegidas nos Estados Unidos por uma disposição legal chamada Secção 230, que as isenta de qualquer responsabilidade pelo conteúdo publicado pelos utilizadores.

Mas os advogados de Kaley GM, o demandante, agora com 20 anos, escolheram uma nova estratégia, questionando o design das plataformas pelos seus operadores, que são acusados ​​de torná-las uma armadilha.

“É uma evasão” à Seção 230, diz Darryl Lim, professor de direito na Universidade Estadual da Pensilvânia.

Se o cerne da questão no julgamento de Santa Fé se concentrou na exposição de menores a assédio sexual e conteúdo impróprio, o procurador-geral do Novo México adoptou uma posição semelhante.

Ameaça de uma conta pesada

Assim que a decisão foi proferida em Los Angeles, Meta destacou o fato de que os danos não ultrapassaram US$ 3 milhões no total. Mas o júri ainda deve determinar separadamente o valor dos danos, que pode ser muito maior.

Além disso, no caso do Novo México, a Meta foi condenada a pagar 375 milhões de dólares em multas, mas rapidamente indicou a sua intenção de recorrer da decisão.

Esta jurisprudência poderá influenciar centenas de ações atualmente em curso nos Estados Unidos contra empresas que controlam as redes sociais, que apresentam acusações semelhantes às apresentadas por Kaley GM.

Assim, a factura total poderá rapidamente atingir vários milhares de milhões de dólares.

“Julgamentos de alto nível como este (em Los Angeles) enviam um sinal sobre como os júris reagirão a uma série de ataques legais”, explica Daryl Lim, que acredita que a decisão “deveria aumentar a pressão” sobre as plataformas, encorajando-as “a encontrar acordos amigáveis ​​em processos que ainda estão em curso”.

Antes do início do julgamento em Los Angeles, a Snap, empresa-mãe do Snapchat e do TikTok, chegou a um acordo amigável com o demandante e, assim, evitou este julgamento.

Imagem corrompida

Durante vários anos, estudos demonstraram os efeitos nocivos que as redes sociais frequentes podem ter sobre alguns utilizadores jovens, como Kaley GM, que são vulneráveis ​​à depressão, ansiedade crónica e distúrbios de autoimagem.

“Durante muitos anos, os operadores afirmaram que estão a fazer esforços para tornar as suas plataformas mais seguras para crianças e adolescentes”, recorda Minda Smiley, analista da Emarketer, mas “os críticos estão cépticos”.

Ela acrescentou: “Esta decisão pode representar o início de um novo capítulo difícil” para as redes sociais, “já que as regras que elas estabeleceram para si mesmas não serão mais suficientes”.

Para Vanitha Swaminathan, professora de marketing da Universidade de Pittsburgh, a decisão “destaca tensões significativas entre os objetivos destas plataformas e os problemas que representam para os seus utilizadores mais vulneráveis”.

Pressão por reformas e leis

Os julgamentos em Santa Fé e Los Angeles fazem parte de uma onda de legislação que começou na Austrália no final de 2025 e que se espalha rapidamente por outros países para regulamentar mais rigorosamente, ou mesmo proibir, as redes sociais para jovens utilizadores da Internet.

Vários estados americanos já votaram ou estão a considerar disposições para proteger menores nas redes sociais, mas nenhum deles estabeleceu uma idade mínima, como é o caso da Austrália (16 anos).

O Congresso dos EUA permanece em segundo plano por enquanto. “Isto normalmente só entra em jogo quando os tribunais e os parlamentos locais começam a mudar o panorama jurídico”, diz Darryl Lim.

“Se estas empresas fossem forçadas a redefinir os seus produtos, isso representaria uma ameaça existencial ao seu modelo de negócio”, alerta Jasmine Enberg, da Scalable. “O seu negócio publicitário depende da atenção”, salienta ela, e se as mudanças abrandarem o tráfego, “reduzirão o seu valor para os anunciantes”.

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