A estratégia de Donald Trump para subjugar o Irão tem falhas, mas não é completamente sem sentido, diz um analista político.
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No dia 17 de abril, o Presidente dos EUA manifestou o seu otimismo quanto ao resultado das negociações com o regime iraniano, referindo-se à reabertura do Estreito de Ormuz, anunciada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano.
Mas poucas horas depois, os Guardas Revolucionários fizeram um discurso completamente contraditório, indicando que o estreito estava novamente fechado.
Esta situação ilustra a “divisão do poder no Irão” entre o ramo mais ideológico e o ramo mais moderado disposto a negociar com Washington, diz Georges Mercier, analista e doutorando em ciências políticas na Sciences Po, em Paris.
Trump ‘não está completamente louco’
“Eles vêem claramente que a economia iraniana não vai a lado nenhum neste momento, e então, em algum momento, teremos de pagar os salários dos soldados e pagar os salários da polícia se quisermos manter o controlo sobre a população”, explicou numa entrevista ao programa Mario Dumont da Rádio e Televisão QUB, que foi transmitido simultaneamente pela 99.5 FM em Montreal.
Ao fechar o Estreito de Ormuz, os americanos estão a impedir que o Irão retire o seu petróleo da região. O analista político salienta que se a situação continuar assim por mais algumas semanas, os tanques iranianos ficarão cheios e Teerão terá de interromper a produção, o que custará muito caro para o Irão reiniciar.
“Não é como uma torneira. Se você desligá-la por muito tempo, ela ficará danificada. Portanto, seria um risco real para o sistema”, diz Mercier.
Segundo este último, Washington aposta que as pessoas que beneficiam do regime corrupto forçarão o governo iraniano a negociar.
“As sanções impostas ao Irão contra o seu programa nuclear criam certamente uma economia paralela, que beneficia aqueles que controlam a economia paralela”, afirma um estudante de doutoramento em ciências políticas na Sciences Po Paris. “Os Guardas Revolucionários são a forma como eles enriquecem.”
No entanto, cerca de 50% do rendimento do exército provém da venda de petróleo, diz Georges Mercier.
Ele acredita: “Portanto, na realidade, Trump pode não ser completamente louco, e a Casa Branca pode não ser completamente louca. Se cortarmos a oferta monetária, talvez consigamos provocar deserções, e talvez essas deserções sejam suficientemente grandes para forçar o regime a sentar-se à mesa de negociações”.
Ramo ideológico
Por outro lado, o outro ramo do Irão, que é “o mais fanático”, quer ir a extremos, como acrescenta o especialista em política internacional.
“Com o Estreito, temos um novo curinga para jogar no mapa mundial e, graças a esse curinga, não precisamos fazer concessões”, enfatiza Georges Mercier.
E acrescenta: “O problema de Trump desde o início é que ele é incapaz de compreender que algumas pessoas não pensam como ele (…) Ele pensa de uma forma muito materialista: Se não houver mais dinheiro, então isto é um problema e no final voltaremos à mesa de negociações.
O analista acredita que a Guarda Revolucionária se orienta quase exclusivamente por uma visão ideológica.
Dizem para si mesmos: Temos que chegar ao fim. “A Revolução Islâmica, estamos aqui para a levar até ao fim, para a manter viva, para que não seja tão perigosa se nos faltar dinheiro”, explica Georges Mercier.
Este último salienta que não existem apenas ideólogos no Irão, mas também muitos agentes policiais e militares, que precisam de dinheiro para continuar a trabalhar.
Para assistir a entrevista completa, assista ao vídeo acima.



