A operação americana que levou à prisão de Nicolás Maduro, segundo um analista político, demonstra o desejo dos Estados Unidos de fortalecer a sua influência na América Latina.
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Os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, já não têm “nenhuma paciência” com as justificações clássicas em torno das intervenções no exterior, já que a América do Sul é agora considerada um “protetorado especial”, diz o analista Georges Mercier.
“É uma área do mundo que lhes pertence e devem ter a palavra final sobre ela”, garantiu à LCN no domingo. “São eles que podem nos ditar a política que adotamos lá.”
Segundo o analista, a operação americana levada a cabo no sábado, que levou à detenção do antigo Presidente venezuelano Nicolás Maduro, constituiu uma intervenção clara e completamente assumida.
Ele anunciou: “(A ordem) vem para lembrar a todos os outros países da região quem é o líder nesta região”. (…) Os americanos agiram um pouco como a máfia, ou seja, ao sequestrar Nicolás Maduro, é um pouco como um chefe da máfia em qualquer cidade incendiando um restaurante para dizer a todos os outros comerciantes: “Olha, eu tenho um testamento, vocês têm que me ouvir. Se vocês não me ouvirem, é isso que vai acontecer.”
Para confrontar a China
Esta operação militar dos EUA na Venezuela constituiria também uma forma de Washington confirmar o seu estatuto de “superpotência” na cena internacional, segundo Georges Mercier.
“No final da década de 1990, os Estados Unidos eram uma superpotência”, disse ele. Era o país mais poderoso do mundo. Havia esse tipo de sonho onde eles poderiam impor a sua vontade em quase todos os lugares do planeta. A grande novidade dos últimos anos é que a China se está a estabelecer como uma potência que, se não for igual, pode pelo menos rivalizar com os Estados Unidos.
Washington percebe, segundo o analista, que deve aproximar-se das suas bases para aumentar o seu poder.
Ele acrescentou: “Portanto, é melhor controlar a América Latina para que possamos finalmente confrontar a China”.
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