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“Não gosto de artistas que acreditam que são alguma coisa, é como uma tomada acreditando que é eletricidade”

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Pablo Motos Foi recebido na terça-feira ‘Antilhas’ Para a atriz Rossy de PalmaCom quem conversou sobre seus próximos projetos, que incluem a estreia do filme ‘Dia de Caça’Um remake do filme de sucesso de Carlos Sora, ‘The Hunt’.

PAULO MOTOS. Você tem um novo filme, um remake de The Hunting, com estreia no dia 3 de julho.

Rassi de Palma Esta é uma ideia muito interessante. Como resultado deste filme, sugeri que fossem feitos muitos remakes de filmes populares dirigidos por homens e narrados por mulheres. Neste caso, é um filme sombrio, de uma época sombria, para a qual não queremos voltar. Essas mulheres parecem muito rudes, mas há corrupções, conspirações… É muito interessante. E depois, com atores como Blanca Portillo e Carmen Machi, e Zoe Arnaud, que interpreta minha irmã, uma jovem que também é extraordinária.

PAULO MOTOS. Você filmou na Extremadura em meados de agosto. Disseram-me que você é mais quente que o asfalto da estrada.

Rassi de Palma muito quente. Mas às vezes o frio ou o calor aumentam a riqueza, você sente isso. Queríamos acordar cedo, mas acordamos mais cedo… e quando acordamos já estava quente.

PAULO MOTOS. E você estava usando próteses.

Rassi de Palma Sim, mas apenas no final. Carmen me deixou uma frase porque às vezes me irrita: “No cinema é preciso ter a paciência de São Jó”. A técnica sempre prevalece. Afirmo que todas as associações são importantes. Se alguém chega com maquiagem ruim, não parece importante, mas tudo é importante.

PAULO MOTOS. Há uma cena em que você e Blanca se reconciliam.

Rassi de Palma sim. Sou muito bom em fotos de composição. Vou fazer um filme completo assim. Tiro contra tiro me entedia. Me deixei levar muito pelos personagens.

PAULO MOTOS. Você diz que não é um ator, mas um ator-artista.

Rassi de Palma sim. Toco tantos estilos que não sei nada. Estou sempre muito ocupado. Gosto de artistas e artistas. Respeito o trabalho do ator, mas não estudo nem memorizo. Eu nego, sou muito taoísta. E o personagem vem e me tem. Aí faço gestos que não faço na vida.

PAULO MOTOS. Você gosta de improvisação?

Rassi de Palma bastante. Sem saber o que iria acontecer. Como na vida.

PAULO MOTOS. Existem muitas pessoas como você na comunidade?

Rassi de Palma Existem alguns, sim. Mas gosto de trabalhar no limite do desconhecido.

PAULO MOTOS. E como você se dá com pessoas difíceis?

Rassi de Palma Não gosto de artistas que pensam que são alguma coisa. Artistas não são arte, somos carros. É como se o plugue pensasse que é eletricidade. Existem efeitos que atingem muitos. O importante é ser honesto. O cinema é uma mentira para dizer a verdade. A televisão, muitas vezes, mente por contar mentiras. Quando fui para Toccata com Worst Impossible saí chorando. Tudo era tão falso…

PAULO MOTOS. Você toca uma compilação com sua banda?

Rassi de Palma Sim, uma bateria eletrônica. Cantamos, dançamos… foi um medley. Vivenciámos coisas incríveis: em Melilla atiraram-nos latas cheias de areia em litros de quimio. Éramos muito modernos.

PAULO MOTOS. E como você viveu sem um centavo?

Rassi de Palma Com a puberdade. Madrid era muito perigoso. Não estou aqui para perder tempo. Eu tinha minha família em Maiorca. Minha mãe me enviou ordens de pagamento de uma peseta. Vivi a adolescência dos 30 aos 33 anos.

PAULO MOTOS. Agora você diz que é jovem.

Rassi de Palma Sim, 60 é a idade da puberdade. Quero dedicar esta década a mim mesmo.

PAULO MOTOS. Sua próxima frase é que você só acredita em limites gastronômicos

Rassi de Palma sim. A gastronomia combina. Pessoas geográficas sempre escondem conflitos. Sou humanista, todos pertencemos ao planeta.

PAULO MOTOS. E você diz que alguém é ridículo.

Rassi de Palma O senso de humor existe apenas para os outros. Se eles escolherem, não é seu.

PAULO MOTOS. Você também diz que olhar além do nariz permite ver como as pessoas são.

Rassi de Palma sim. Nunca fui uma vítima. Eu me perguntei por que estava sendo culpado por algo que não escolhi. Isso me ajudou a entender os seres humanos.

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