Início ESTATÍSTICAS O vulcão mais ativo da Europa pode ter origem secreta

O vulcão mais ativo da Europa pode ter origem secreta

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O Monte Etna fascina geólogos há décadas. O grande vulcão da ilha italiana da Sicília é o mais ativo da Europa, entrando em erupção várias vezes por ano, mas os cientistas nunca compreenderam como se formou.

Agora, investigadores da Universidade de Lausanne (UNIL) propuseram uma nova explicação que poderá mudar isso. A sua investigação sugere que o Monte Etna pode ter-se formado através de um processo vulcânico raro, diferente daquele encontrado atrás de qualquer outro grande vulcão na Terra, tornando-o potencialmente único.

O Etna, que tem mais de 500 mil anos e se eleva a mais de 3 mil metros (9.800 pés) acima do nível do mar, há muito resiste às tentativas de encaixá-lo nos modelos existentes de formação de vulcões. Novos resultados publicados em Jornal de Pesquisa Geofísica – Terra Sólidaforam desenvolvidos em colaboração com Anna Rosa Corsaro do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia de Catânia. O estudo também poderá ajudar os cientistas a melhorar as avaliações de perigos vulcânicos realizadas por investigadores do INGV em Catânia, Itália.

Por que o vulcão Etna não coincide com outros vulcões

Os vulcões se formam quando a rocha derretida do manto terrestre sobe à superfície e se solidifica. Tradicionalmente, os geólogos agruparam os vulcões em três tipos principais com base na forma como o magma é formado:

  • Na fronteira entre duas placas tectônicas, onde as placas se afastam e permitem que o material do manto suba e derreta, criando um novo fundo oceânico.
  • Em zonas de subducção, onde uma placa tectônica afunda sob outra. A água transportada para o manto diminui o ponto de fusão das rochas circundantes, formando magma e muitas vezes vulcões explosivos, como o Monte Fujiyama, no Japão.
  • No meio das placas tectônicas, onde o material do manto excepcionalmente quente sobe em um chamado hotspot, formando cadeias de ilhas vulcânicas como o Havaí ou a Reunião.

O Monte Etna não se enquadra em nenhuma dessas categorias.

Embora esteja localizado perto de uma zona de subducção, a composição química da sua lava é mais semelhante à dos vulcões formados acima dos pontos quentes, embora não existam pontos quentes abaixo da região.

Uma fonte oculta de magma nas profundezas da Sicília

Os investigadores acreditam que o Etna é alimentado por pequenas bolsas de magma que já existem no manto superior, cerca de 80 quilómetros (50 milhas) abaixo da superfície. Em vez de se formar pouco antes de uma erupção, como é típico de muitos vulcões, este magma pode ter permanecido no local durante um longo período de tempo antes de ser empurrado para cima.

Segundo o estudo, a colisão das placas tectónicas africana e euroasiática está gradualmente a trazer estas bolsas de magma à superfície. Quando uma placa tectônica se curva perto de uma zona de subducção, ocorrem falhas que permitem que o magma suba através da crosta, da mesma forma que o líquido é espremido de uma esponja.

Este mecanismo pode explicar tanto a composição química incomum do Etna como a sua longa história de erupções frequentes.

Um quarto tipo de vulcão é possível

A equipe sugere que o Monte Etna pode pertencer a uma quarta categoria pouco conhecida, conhecida como vulcões de “pequenas manchas”. Identificado pela primeira vez por geólogos japoneses em 2006, os vulcões de pequenas manchas são pequenos vulcões subaquáticos que indicam a presença de bolsas de magma já presentes perto do topo do manto terrestre, uma ideia originalmente proposta na década de 1960.

Até agora, este processo só foi associado a estruturas vulcânicas relativamente pequenas.

“O nosso estudo sugere que o Etna pode ter sido formado por um mecanismo semelhante ao que gera pequenos vulcões submarinos”, explica Sébastien Pilet, professor da Faculdade de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade de Lausanne e principal autor do estudo. “Isto é inesperado, porque tais processos só foram observados anteriormente em estruturas vulcânicas muito pequenas, que geralmente não ultrapassam algumas centenas de metros. O Monte Etna, por outro lado, é um grande estratovulcão cuja actividade começou há cerca de 500.000 anos e que agora se eleva mais de 3.000 metros acima do nível do mar.’

Se a hipótese estiver correta, poderá expandir a compreensão dos cientistas sobre como os vulcões se formam e encorajar os investigadores a procurar processos geológicos semelhantes em outras partes do mundo.

Como os cientistas testaram a teoria

Para investigar a história do Monte Etna, os pesquisadores analisaram amostras de rochas abrangendo aproximadamente 500 mil anos de atividade vulcânica. Ao reconstruir a evolução química da lava do Etna e compará-la com dados experimentais, descobriram que a composição do magma do vulcão permaneceu notavelmente estável, apesar das mudanças no ambiente tectónico circundante.

Estes resultados apoiam a ideia de que o magma que alimenta o Etna já existe no manto superior e que a quantidade de magma que atinge a superfície é largamente controlada pelo movimento das placas tectónicas. Juntos, os resultados confirmam que o vulcanismo do Etna é impulsionado pelo mesmo processo subjacente aos pequenos vulcões.

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