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Os cientistas finalmente resolveram o mistério dos raros coágulos sanguíneos na vacina COVID

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Pesquisadores liderados pela Universidade Flinders, em colaboração com colaboradores internacionais, descobriram como um raro distúrbio de coagulação sanguínea pode se desenvolver após algumas vacinas baseadas no adenovírus COVID19, ou mesmo após uma infecção natural por adenovírus.

A equipe, que incluiu cientistas da Universidade Flinders e da Universidade Greifswald, descobriu que, em um número muito pequeno de pessoas, o sistema imunológico pode confundir erroneamente uma proteína normal de adenovírus com uma proteína do sangue humano chamada fator plaquetário 4 (ou PF4).

Confusão do sistema imunológico causa coagulação

Quando ocorre essa confusão, o corpo produz anticorpos que ativam a coagulação. Embora esta reação seja extremamente rara, determinar a causa exata é um passo importante. Isto significa que os desenvolvedores de vacinas podem agora modificar a proteína do adenovírus para prevenir este problema e melhorar a segurança da vacina.

O pesquisador da Universidade Flinders, Dr. Jing Jing Wang, diz que as descobertas oferecem um caminho claro a seguir.

“Ao modificar ou remover esta proteína adenoviral específica, as futuras vacinas poderão evitar esta reacção extremamente rara, ao mesmo tempo que proporcionam uma forte protecção contra doenças”, afirma o Dr. Wang.

Da descoberta do VITT a uma explicação molecular

Este estudo faz parte de um esforço internacional mais amplo para compreender a trombocitopenia e a trombose imunes induzidas por vacinas (conhecida como VITT), uma condição identificada pela primeira vez durante a pandemia de COVID19 de 2021. Surgiu após o uso de vacinas baseadas em vetores de adenovírus, incluindo a vacina Oxford-AstraZeneca, amplamente utilizada na Austrália.

Os cientistas determinaram que o VITT é causado por autoanticorpos prejudiciais direcionados ao PF4.

Trabalhos anteriores liderados pelo Dr. Wan e pelo Professor Tom Gordon, Chefe de Imunologia da SA Pathology no Sul da Austrália, decifrou a estrutura deste anticorpo PF4 em 2022. Este estudo também identificou um fator de risco genético associado a um gene de anticorpo denominado IGLV3.21*02. A descoberta ligou os casos em diferentes países e ajudou a estabelecer uma colaboração de longo prazo com a Universidade de Greifswald sob a liderança do Professor Andreas Greinacher.

Evidências de infecção e vacinação

Em 2023, o professor Ted Warkentin, da Universidade McMaster, no Canadá, relatou uma condição quase idêntica causada pelo mesmo anticorpo PF4 em pacientes com infecção natural por adenovírus (resfriado comum), algumas fatais.

UM próximo estudo em 2024 envolvendo as universidades Flinders, Greifswald e McMaster mostraram que os anticorpos em casos relacionados com vacinas e casos relacionados com infecções eram indistinguíveis. Isto apontou para o próprio adenovírus, e não para um ingrediente específico da vacina, como a fonte do problema. No entanto, na época, o mecanismo molecular exato ainda não estava claro.

Estudo inovador revela gatilho molecular

Segundo o professor Tom Gordon, os últimos resultados, publicados no New England Journal of Medicine, representam o culminar de anos de investigação global.

“Tem sido uma jornada emocionante com uma excelente equipa internacional de colaboradores completar uma trilogia de publicações no New England Journal of Medicine para desvendar o mistério deste novo grupo de distúrbios da coagulação sanguínea e potencialmente traduzir as nossas descobertas em vacinas mais seguras”, diz o Professor Gordon.

Dr. Wang explicou que a análise molecular detalhada da equipe finalmente encontrou a peça que faltava.

“Um aspecto novo do artigo foi o uso de sequenciamento de espectrometria de massa de alto rendimento para identificar o mimetismo molecular entre a proteína do vetor de adenovírus e o alvo culpado PF4”, diz ela.

“Este era o elo que faltava que explica como uma resposta imunitária normal pode, em casos muito raros, tornar-se prejudicial”.

Futuras vacinas mais seguras estão ao nosso alcance

O imunologista Professor James McCluskey, da Universidade de Melbourne e do Instituto Peter Doherty, considerou o trabalho um importante marco científico.

“Esta é uma brilhante peça de investigação molecular, o culminar de um conjunto de trabalhos que revelam a base genética e estrutural de como uma resposta imunitária normal a uma proteína viral leva à autoimunidade patogénica”, diz o professor McCluskey.

Os pesquisadores dizem que o gatilho exato já foi identificado e os desenvolvedores de vacinas podem ajustar a proteína pVII em vacinas baseadas em adenovírus para eliminar esse risco raro.

Espera-se que estas descobertas apoiem o desenvolvimento de vacinas mais seguras que permaneçam eficazes e amplamente disponíveis, especialmente em regiões onde as vacinas baseadas em adenovírus desempenham um papel importante na prevenção de doenças.

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