O regulador de energia do Paquistão, a Autoridade Reguladora Nacional de Energia Elétrica (NEPRA), aumentou as tarifas de eletricidade em 1,42 rúpias por unidade no âmbito do mecanismo de ajuste mensal do custo do combustível, aumentando a pressão financeira sobre os consumidores que já sofrem com o aumento dos preços dos combustíveis, informou a agência de notícias IANS.
A subida está associada à evolução dos custos dos combustíveis registada em fevereiro de 2026, e terá reflexo nas faturas de eletricidade emitidas em abril. Espera-se que a medida imponha um fardo adicional de cerca de 10,57 bilhões de rupias aos consumidores em todo o país, de acordo com relatos da mídia, informou a IANS.
Consumidores atingidos em meio ao aumento do custo de vida
O aumento tarifário ocorre num momento em que as famílias já enfrentam o aumento do custo de vida. Com o aumento dos preços dos combustíveis, o recente ajustamento dos preços da electricidade teve um duplo impacto, afectando tanto os transportes como as despesas das famílias.
Os analistas salientam que, embora o governo tenha tomado algumas medidas de austeridade em resposta às tensões em curso no Médio Oriente, estas medidas pouco fizeram para proteger os cidadãos comuns do aumento dos custos. Os consumidores continuam a enfrentar despesas mais elevadas tanto nos postos de gasolina como nas contas mensais de serviços públicos, informou a IANS.
A indústria alerta para crescentes pressões financeiras
O aumento também levantou preocupações no sector industrial do Paquistão. Um representante da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria do Paquistão (FPCCI) alertou que os aumentos contínuos nos custos de energia poderiam impactar gravemente a sustentabilidade industrial, informou a IANS.
Segundo estimativas, o sector industrial já suportou um fardo cumulativo de 564,7 mil milhões de rupias nos últimos três anos. As partes interessadas temem que novos aumentos tarifários corroam ainda mais a competitividade e prejudiquem o crescimento económico, informou a IANS.
Questões estruturais de longo prazo no setor energético
Os especialistas salientam que os desafios energéticos que o Paquistão enfrenta não são novos e são anteriores às actuais tensões geopolíticas. As deficiências estruturais, incluindo as perdas de transmissão e distribuição, continuam a pesar sobre o sector energético.
Durante o ano fiscal de 2024-25, as empresas paquistanesas de distribuição de energia sofreram perdas combinadas de cerca de 397 mil milhões de rupias devido à ineficiência e à má recuperação das contas. Estas questões sistémicas permanecem em grande parte por resolver e continuam a aumentar os custos para os consumidores.
As perspectivas energéticas globais incertas aumentam as preocupações
O mercado energético mundial permanece instável, com a volatilidade dos preços dos combustíveis a aumentar a volatilidade. Espera-se que esta incerteza continue a pressionar as tarifas energéticas paquistanesas nos próximos meses, informou a PTI.
Os especialistas também destacam preocupações sobre os pagamentos de capacidade fixa aos produtores de energia, que devem ser feitos independentemente da produção real de electricidade, bem como sobre a subutilização das centrais eléctricas. Dizem que abordar estas questões é crucial para a estabilidade a longo prazo no sector energético, informou a IANS.
No entanto, por enquanto, tanto os consumidores como as empresas parecem preparados para suportar o peso do aumento dos custos da electricidade e dos combustíveis, com um alívio limitado à vista.
(Com contribuições do IANS)



