Quando vencemos, não tentamos negociar. Mas é isso que os Estados Unidos estão pedindo. A indústria militar do Irão é certamente devastadora. Naturalmente, a capacidade do Irão de produzir armas atómicas diminuiu. O Hezbollah e o Hamas são muito fracos. Contudo, o Estreito de Ormuz não é seguro, o governo iraniano não caiu e os países vizinhos sentem-se cada vez mais ameaçados pelo Irão que, além disso, continua a bombardeá-los. Pior ainda, os custos da guerra estão a aumentar. Em Israel, segundo a oposição, o exército está à beira da exaustão. Donald Trump quer desferir o golpe final no Irão, mas será que conseguirá realmente fazê-lo? Quanto mais a guerra se prolonga, mais Trump dá a impressão de estar à procura de uma saída honrosa. Além disso, o seu apoio entre a população americana está a diminuir e as eleições intercalares poderão ser desastrosas para os republicanos se os Estados Unidos ainda estiverem em guerra com o Irão nessa altura. Trump está perdendo porque não está ganhando rápido o suficiente.
1) Que rotas de saída Trump pode encontrar?
Uma vitória completa permitiria a Trump mudar o regime iraniano e distanciar o país da influência da China e da Rússia. Trump também quer controlar a riqueza do petróleo e do gás do país. Esses objetivos parecem difíceis de alcançar. Mas, simbolicamente, os Estados Unidos poderiam instalar-se numa pequena ilha perto do Estreito de Ormuz, sob o pretexto de garantir ali a liberdade de circulação. Poderiam também tentar negociar algum tipo de tributo petrolífero que o Irão lhes pagaria. Podem exigir que o mercado iraniano seja aberto ao capital americano. Trump também poderia declarar vitória e prometer atacar novamente o Irão se esse país reconstruir as suas instalações militares. Existem muitas portas de saída simbólicas, mas nenhuma delas é adequada para as nações aliadas.
2) O que procuram os países vizinhos do Irão?
Os pequenos países vizinhos do Irão procuram principalmente prosperar em paz sem terem de gastar grandes somas na sua segurança militar. Trump corre o risco de fazê-los pagar um preço elevado pela protecção americana. Seria melhor para eles garantir que o Irão fosse efectivamente neutralizado, para além dos símbolos. Caso contrário, estes países procurarão estabelecer alianças mais seguras.
3) Os líderes iranianos concordarão em assinar a paz agora?
Parte da população, liderada pela Guarda Revolucionária, é formada por fanáticos malucos. O termo não é muito forte. Estes fanáticos comparam os nazis que, durante a Segunda Guerra Mundial, defenderam Berlim rua por rua, sob ordens de Hitler. Os americanos e os Aliados experimentaram o mesmo tipo de fanatismo nas suas batalhas contra o Japão. Os Guardas Revolucionários podem aceitar a paz. No entanto, esta paz seria apenas um interlúdio, destinado a permitir o reinício das hostilidades e a tentativa de aniquilar Israel e os Estados Unidos.
4) Quais são as repercussões do fim fracassado da guerra?
Uma saída fracassada da guerra criaria grande incerteza para as economias da região. Além do mais, os Houthis poderiam ameaçar a passagem de navios no Mar Vermelho. Em última análise, muitos países em todo o mundo podem sentir-se tentados a impor direitos de passagem sobre outras rotas marítimas aos barcos.
5) O que revelará uma retirada apressada dos EUA?
Uma saída mal negociada da guerra enviaria um sinal desastroso: significaria que os Estados Unidos seriam menos capazes de garantir a liberdade de movimento marítimo, sem que nenhuma outra potência pudesse assumir o controlo.



