Entre as muitas paranóias do regime fechado em Moscovo, que agora ocupa inertemente o drone de longa data da Ucrânia, está aquela a que Alexander Bortnikov deu voz nestas horas. O chefe do FSB chamou de “sinal assustador” o fato de os Estados Unidos e Israel terem matado líderes iranianos ao acessarem as câmeras de vigilância de Teerã.
Numa reunião do Conselho dos chefes dos órgãos de segurança e serviços especiais dos membros da CEI, Bortnikov disse que as operações digitais americanas e israelitas também estão a ser comparadas nesses estados, e isto é, pelo menos em parte, a dependência da Rússia e dos estados da CEI em plataformas tecnológicas ocidentais “que criam vulnerabilidades significativas a ataques cibernéticos por parte dos serviços de inteligência dos principais países e aliados da OTAN”. Mas ele não disse o resto.
As relações entre Tel Aviv e a Rússia já não são tão idílicas como antes – mesmo que continuem a ser uma encruzilhada e as portas não estejam completamente fechadas. O FT escreveu que o assassinato do Líder Supremo Ali Khamenei só foi possível devido à informação que a inteligência israelita recolheu ao longo dos anos, dados que a Mossad transferiu e encriptou. Hackear o acesso às câmeras do carro da residência de Khamenei foi crucial. E Vladimirovich Vladimirovich a incomoda muito.
Os russos sabem que os americanos podem facilmente obter a mesma informação de Moscovo, e muito mais da unidade israelita 8200, especializada em operações cibernéticas. Purêum canal russo muito familiarizado com as instituições de segurança de Moscovo e pró-Kremlin anunciou que a análise do programa israelita BriefCam, que já hackeava câmaras em Teerão, também foi encontrada em alguns sistemas de videovigilância na Rússia. A Rússia utiliza-o desde 2010, entregando-o efectivamente a Tel Aviv.



