Como a maioria das crianças de Hong Kong encontra abrigo em casa, Bobo* passou os anos da escola primária e secundária em constante alerta, sempre à procura de um novo lugar para se esconder no seu apartamento.
“Todos os dias eu tinha que descobrir como escapar dessa pessoa, como encontrar outro lugar seguro dentro do apartamento”, disse a jovem, que foi repetidamente abusada sexualmente por um membro da família.
Outra rapariga, Mui*, disse que as noites e as férias escolares eram os momentos mais assustadores. Muitas vezes ela acordava percebendo que o resto da família estava dormindo ou fora de casa, deixando-a sozinha com o padrasto.
Além de abusar sexualmente dela desde os 13 anos, o padrasto de Moi a repreendia e batia, e às vezes a expulsava de casa como punição por desobediência.
“Parecia que tinha perdido completamente a minha liberdade”, disse a jovem de 25 anos, que permaneceu em silêncio na sua juventude por medo de que falar abertamente pudesse custar-lhe a casa e à sua mãe.
Os sobreviventes de abuso sexual, Bobo e Moi, têm apelado a que Hong Kong introduza um novo crime de abuso sexual infantil, que abordaria o abuso repetido durante um longo período de tempo. O seu apelo surge num momento em que o Departamento de Segurança se prepara para lançar uma consulta pública sobre as reformas das leis sobre crimes sexuais, que permaneceram praticamente inalteradas desde a década de 1950.



