
Todos os dias os iranianos aguardam as conversações planeadas entre Washington e Teerão com uma mistura de cepticismo e medo absoluto, presos entre um regime que dizem não compreender a paz e um presidente dos EUA que ameaçou destruir “uma civilização inteira”.
As conversações entre os EUA e o Irão, organizadas pelo Paquistão, estavam em jogo na sexta-feira, mas se avançarem, poderão transformar uma trégua temporária numa paz duradoura na campanha EUA-Israel contra a República Islâmica.
Os residentes de Teerão contactados pela Agência France-Presse em Paris, que omitiram os seus apelidos por preocupação com a sua segurança, tinham opiniões divergentes sobre a perspectiva e não estavam optimistas, com sentimentos que iam da raiva à ansiedade e ao profundo desespero.
Amir, um artista de 40 anos, disse acreditar que o acordo temporário e as negociações não durariam uma semana.
De acordo com Amir, o aparelho repressivo do Irão – incluindo os seus Guardas Revolucionários, o braço ideológico das suas forças armadas – é visto como fortalecido pela guerra que começou em 28 de Fevereiro, tornando improvável um acordo.
Ele disse que a máquina de propaganda mentiu para ele, dizendo que ele acreditava ter vencido a guerra. “Eles não podem viver em paz porque não entendem a paz.”



