
Pela primeira vez, as actividades fora da jurisdição nacional – desde a pesca industrial à mineração em alto mar e à bioprospecção – serão sujeitas a avaliações de impacto ambiental, áreas marinhas protegidas e monitorização científica conjunta.
Assinado por 145 países e ratificado por 81 e continua a aumentar, o acordo representa a mais rápida e extensa mobilização da diplomacia ambiental multilateral na história das Nações Unidas. Isto reflecte um consenso global crescente de que o alto mar – há muito tratado como uma fronteira de acesso aberto – já não pode continuar a ser um vazio regulamentar.
Embora o acordo esteja escrito na linguagem do proteccionismo, terá consequências geopolíticas, particularmente no Indo-Pacífico. A China ratificou o acordo e estará vinculada às suas regras desde o primeiro dia. Em contraste, os Estados Unidos estão fora dos EUA, tendo assinado mas ainda não recebido a aprovação do Senado. A medida dá a Pequim uma nova e poderosa posição diplomática num momento em que o domínio do mar se está a tornar tão estrategicamente importante como o poder naval.
Isto é importante porque o mar já não é apenas um teatro de navios de guerra e de comércio. É agora uma fronteira para a segurança alimentar, a resiliência climática, a ciência genética e a extracção de recursos. Quem define as regras desta fronteira moldará não apenas as consequências ambientais, mas também a legitimidade política.



