A final da Taça das Nações Africanas em Rabat não só coroou o Senegal campeão numa noite em Rabat que incluiu drama, loucura e escândalo. Ele também saiu uma cena tão incomum quanto controversa: a guerra pela toalha do goleiro Édouard Mendy. Em meio à chuva e à emoção máxima, o simples pano usado pelo ex-Chelsea para secar as luvas tornou-se uma mudança contestada por jogadores, assistentes e corredores de bola do Marrocos, com o reserva resistindo ferozmente Yehvann Diouf como imagem central da noite.
O incidente ocorreu nos minutos mais quentes da partida, quando o Senegal voltou a campo após protestar um pênalti concedido à seleção local. Com a grama encharcada e a área sitiada, Mendy precisava da toalha para manter a aderência nas condições extremas. Foi então que começaram as repetidas tentativas de retirá-lo, manobra que chamou a atenção pela resistência e coordenação.
Primeiro foram os jogadores de futebol marroquinos. Izamel Aproximou-se várias vezes da baliza senegalesa com a clara intenção de levar a toalha. Depois juntaram-se os apanhadores e alguns assistentes. A situação agravou-se quando até três jovens cercaram Diouf, guarda-redes suplente do Senegal, que reagiu sem hesitar: caiu no chão, cobriu a toalha com o corpo e resistiu enquanto tentavam puxá-lo pelas pernas. A cena, capturada por câmeras, deu a volta ao mundo em minutos. Um ataque de piranha no meio de uma partida de futebol.
Aparecem mais fotos dos truques de Marrocos.
O jogador Ismael Saibari tentou intimidar Yehvan Diouf para evitar que Mendy pegasse a toalha.
-Albert Ortega (@AlbertOrtegaES1) 19 de janeiro de 2026
“Para mim eram apenas toalhas, nada mais. Serviam para secar as luvas e o rosto”, explicou Diouf em conversa com Wiwsport. “Talvez haja um pouco de folclore em torno disso, mas fiquei surpreso ao vê-los tentar pegá-los”. O goleiro também questionou a atitude do rival: “Já tinha acontecido contra a Nigéria, quando os assistentes foram buscar as toalhas. Não sei por que fizeram isso, mas não foi um jogo limpo”.
O próprio Diouf disse que sua reação teve um objetivo claro: proteger seu parceiro. “Depois disso tentei garantir que Doudou (Mendy) estivesse nas melhores condições possíveis. Precisamos de jogadores assim, cem por cento focados”, disse ele. A mídia senegalesa SeneWeb resumiu a situação com ironia: “A famosa toalha de Mendy tornou-se objeto de desejo de todos. À medida que o jogo se aproximava da prorrogação, Diouf passou vários minutos cuidando dela como se fosse um tesouro.”
A polêmica adicionou outro capítulo quando Ashraf Hakimi Ele também apareceu nas imagens tentando pegar a toalha, o que gerou um confronto entre jogadores dos dois times e aumentou ainda mais a tensão na área senegalesa.
Após o apito final, fotos de Diouf defendendo a toalha viralizaram nas redes sociais. O próprio goleiro alimentou a história postando uma foto no Instagram mordendo a medalha do campeão, com a toalha bem visível e uma mensagem eloquente: “Aí está”.
Em termos puramente futebolísticos, o Senegal venceu por 1-0 e conquistou o título. Mendy, hoje no Al-Ahli da Arábia Saudita, foi fundamental para defender o pênalti cobrado por Brahim, que tentou mordê-lo em um momento crucial depois que os visitantes ameaçaram abandonar o campo em desacordo com a decisão do árbitro. Mas em Rabat, para além do resultado, a final será recordada pela cena improvável: uma toalha defendida como se fosse a última bola do jogo.


