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Teste de DNA do verme Mezcal em uma garrafa revela uma surpresa

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No fundo de algumas garrafas de mezcal está uma das curiosidades mais reconhecidas no mundo das bebidas espirituosas: um “verme” pálido e enrolado preservado em álcool. Durante décadas, ajudou a dar ao mezcal a sua mística, mas agora os cientistas demonstraram que este famoso clandestino de garrafa não é um verme.

Mezcal é uma bebida destilada feita de agave, o mesmo grupo de plantas usado para fazer tequila. A maioria das garrafas é vendida sem adição de nada, mas um pequeno número contém larvas conhecidas como gusanos de maguey (espanhol para vermes de agave). A tradição parece antiga, mas na realidade é muito mais recente que o próprio mezcal. Embora a produção de mezcal no México remonte a séculos, a prática de engarrafar as larvas parece ter começado na década de 1940.

O antigo mistério do mezcal

Durante muitos anos, a verdadeira identidade destas larvas permaneceu incerta. Eles foram descritos como larvas de mariposas, larvas de borboletas e até larvas de gorgulhos. Algumas pessoas suspeitaram que pudesse ser mais de uma espécie, principalmente porque os “vermes” nas garrafas podem variar em cor e aparência.

“É relativamente fácil identificar o tipo de larva pelo formato da cabeça, mas sua identidade nunca foi confirmada”, disse Akita Kawahara, curador do Centro de Lepidópteros e Biodiversidade do Museu McGuire da Flórida. “Talvez seja porque a maioria dos biólogos não olha para garrafas de mezcal.”

Para responder a esta questão, Kawahara e colegas estudaram o mezcal husan num estudo publicado em 2023. PeerJ de Vida e Meio Ambiente. Em 2022, a equipe viajou para Oaxaca, no México, região fortemente associada à produção de mezcal. Eles visitaram destilarias e coletaram tantas marcas diferentes quanto possível para que pudessem experimentar as larvas de diferentes garrafas.

As larvas não ofereceram muitas pistas óbvias. Depois de se sentarem no álcool, seus corpos foram preservados, mas muitos dos sinais visíveis que poderiam ajudar a identificá-los eram limitados. Esta preservação, no entanto, também protegeu algo muito mais útil: o ADN.

DNA deu uma resposta inesperada

Os pesquisadores conseguiram obter e analisar material genético de 18 amostras. Eles esperavam que os resultados pudessem indicar vários insectos diferentes, uma vez que os gusanos de maguey são recolhidos na natureza e não cultivados através de um sistema comercial padronizado.

Um dos principais suspeitos era o capitão gigante da tequila (Imagem: Getty Images)Hesperia Aérea), uma borboleta cujas lagartas se alimentam de plantas agave. Suas grandes larvas esbranquiçadas pareciam combinar bem com os muitos gusanos claros vistos nas garrafas de mezcal. Seu nome também fez dele um candidato óbvio.

Mas o DNA contou uma história diferente. Cada larva que produziu dados genéticos úteis correspondia a uma mariposa agave (Comadia redtenbacheri). Na aldeia PeerJ As amostras do estudo que não produziram DNA utilizável também foram identificadas morfologicamente como a mesma espécie.

Esta descoberta sugere que o “verme” do mezcal não é uma mistura de insetos agave aleatórios. Pelo menos nas garrafas amostradas era a lagarta de uma espécie de mariposa. Os pesquisadores também deram uma explicação para o aparecimento do “verme branco” pálido observado em alguns frascos: as larvas, que passam muito tempo no álcool, podem perder um pouco da cor avermelhada com o tempo.

Por que esta pequena larva é importante?

A descoberta ocorre no momento em que o mezcal continua a crescer muito além dos mercados tradicionais. A sua popularidade aumentou internacionalmente, alimentada pelo interesse do consumidor em bebidas espirituosas artesanais e na produção de pequenos lotes.

Este crescimento levanta questões difíceis. A tequila é frequentemente produzida em escala industrial, mas o mezcal ainda é comumente produzido em pequenas empresas em toda a zona rural árida do México. Os produtores assam os corações arredondados das plantas de agave em fogos ou fornos, depois trituram e fermentam o material cozido antes de destilá-lo em lotes menores. À medida que a procura cresce, ainda não está claro se todos os produtores, proprietários de terras e ecossistemas de agave podem aumentar sem danos a longo prazo.

A mesma preocupação se aplica à mariposa agave. Suas larvas, também conhecidas como chinículas, são consumidas no México há séculos e são uma parte importante da culinária tradicional. Mas a coleta na natureza pode ser intensa e os insetos não são simplesmente apanhados da superfície de uma planta. As lagartas do agave vermelho entram no núcleo do agave hospedeiro, e colhê-las geralmente mata a planta.

“Os vermes agave ainda são bastante comuns, mas o impacto da popularidade do mezcal pode ter efeitos negativos a longo prazo na população local porque são colhidos na natureza”, disse Kawahara.

Nova pesquisa adiciona um aviso

Pesquisas mais recentes aumentaram as preocupações com a sustentabilidade. Um estudo de 2025 em Ciências Botânicas examinou a extração de ciniculi de populações de Agave applanata e descobriu que populações sem extração apresentavam taxas de crescimento mais altas. O estudo descobriu que a colheita de larvas pode reduzir as populações de agave em até 57 por cento, sendo as plantas jovens particularmente afetadas porque são frequentemente colhidas para as larvas, embora sejam importantes para a manutenção da população.

Este trabalho centrou-se nas populações de agave e não nas garrafas de mezcal, mas reforça a mesma questão mais ampla: o mercado de larvas comestíveis de agave pode afetar tanto o inseto como a planta da qual depende. O estudo também observou que a colheita pode exigir o sacrifício do agave antes de atingir a maturidade sexual, alterando potencialmente a dinâmica populacional futura.

Para os produtores e colhedores de mezcal, isto pode dificultar a produção sustentável. Se a procura de garrafas contendo as larvas continuar a crescer, as comunidades locais poderão necessitar de melhores formas de gerir a colheita silvestre, cultivar larvas em quintas de agave ou desenvolver métodos para as produzir sem destruir as plantas hospedeiras.

O verme mezcal pode ter começado como uma novidade de marketing, mas o ADN transformou-o em algo mais interessante: uma pequena criatura com uma identidade distinta, uma ligação profunda à paisagem do agave e um futuro ligado ao cuidado com que a crescente popularidade do mezcal é gerida.

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