Uma corrida para a Terra desbloqueou uma conexão de internet via satélite mais rápida para milhões de pessoas. Mas, de acordo com o Observatório Europeu do Sul (ESO), é também um dos passatempos mais antigos da humanidade e uma das suas maiores ciências, muito mais difícil. A organização alerta que o rápido crescimento de megaconstelações de satélites pode perturbar seriamente as observações feitas por alguns dos telescópios mais poderosos do mundo.
Astrônomos dizem que o céu noturno está chegando ao seu limite
Segundo o queO número de satélites orbitando a Terra explodiu nos últimos anos. Só o Starlink conta agora com cerca de 10.400 satélites, enquanto em 2022 a humanidade terá lançado apenas cerca de 14.450 satélites ao espaço no total. Com empresas planejando constelações ainda maiores, incluindo a visão de longo prazo do fundador da SpaceX, Elon Musk, de até um milhão de satélites como um “data center” orbital, os astrônomos temem que o problema seja apenas o começo.
Para compreender o impacto, os investigadores do ESO simularam o que o céu significaria com base em observações mais frequentes. As descobertas não são encorajadoras. Mesmo que os futuros satélites sejam suficientemente escuros para permanecerem invisíveis a olho nu, o Grande Telescópio Europeu (VLT), no Chile, poderá perder 28% do seu campo de visão observável. Satélites ligeiramente mais brilhantes poderiam ter um efeito ainda maior no Observatório Vera C. Rubin, tornando potencialmente muitas das suas imagens inúteis durante várias horas todas as noites.
A solução não é menos movimentos, no entanto
É importante ressaltar que o ESO não está anunciando o fim do satélite da Internet. Ele propõe um limite internacional de 100.000 satélites em órbita baixa da Terra, argumentando que tal limite ajudaria a estabelecer uma ligação global com as necessidades de longo prazo da astronomia. Os pesquisadores também enfatizam que o brilho dos satélites é tão importante quanto o número de objetos espaciais, uma vez que satélites mais brilhantes espalham mais luz e interferem nas imagens do telescópio.

A principal conclusão é que esse debate se estende além de qualquer sociedade. Acontece que Starlink é simplesmente a maior constelação da atualidade, o que o torna o exemplo mais fácil. Há também o Amazon Leo, que deve ser lançado ainda este ano. À medida que mais empresas procuram grandes redes de satélites, o desafio será encontrar uma forma de expandir o acesso à Internet sem transformar o céu nocturno da Terra num gigantesco obstáculo para os astrónomos.



