Início NOTÍCIAS Palavras que definem o mundo: demos, kràtos, feminicídio

Palavras que definem o mundo: demos, kràtos, feminicídio

10
0

O relatório chegou como costuma acontecer hoje: foi editado, já interpretado, já discutido antes mesmo de ser lido. Proposição, o nome Vannacci, e logo após a palavra “feminicídio”. Não é apenas a política que se reflecte: a própria linguagem está ameaçada.

Mas diante das posições, das ditas polêmicas, a questão permanece quase incômoda: que palavras usamos com elas? Não apenas para descrever o mundo. Eles organizam isso. Eles fazem isso conversando. E de alguma forma eles podem fazer isso.

Pensemos na palavra grega δῆμος: da combinação de δῆμος e κράτος surge literalmente a ideia de “o povo do povo”. Uma palavra que já contém uma promessa: a autoridade política não pertence apenas a uma pessoa, mas a uma comunidade de cidadãos. Embora a sua história concreta seja sempre mais contraditória do que a sua etimologia, é uma das raras palavras em que a linguagem e a imaginação política coincidem tão claramente.

“Feminicídio” é uma palavra bem mais recente, mas funciona de forma semelhante: não apenas descreve o acontecimento, mas tenta nomear a estrutura. Indica a morte de uma mulher não como um acontecimento isolado, mas como um resultado possível – e recorrente – de uma determinada relação em que o gênero se torna uma forma de hierarquia. É por isso que o termo se afasta do novo e vai para a sociologia, mas também para a consciência coletiva.

Na linguagem jurídica italiana, o feminicídio tornou-se crime na forma de uma lei aprovada em 2025. Mas a palavra também é utilizada nos debates públicos e nas ciências sociais com um significado mais amplo, porque não descreve apenas um único crime, mas traz à mente as dinâmicas que estão relacionadas com o género da violência, das relações e dos poderes.

Há uma tensão sutil em tudo isso. Por um lado, a palavra corre o risco de se tornar um slogan, por outro lado, tenta manter dentro de si uma realidade que de outra forma estaria dispersa em partes individuais. Sempre que é usado, não diz apenas esse fato. Ele também diz como gosta de ser. E sobretudo, se quisermos reconhecer que o que dizemos é um facto, ainda é difícil admitir que exista algo maior, ainda incompleto.

(Foto: Caedes, Dimitris Mytaras, domínio público)

❤️ Apoie o Florence Daily News

Se você gostou deste artigo, considere apoiar o Florence Daily News.

Somos um site de informação independente, sem publicidade ou publicidade intrusiva, com um único objetivo: fornecer informações claras e confiáveis ​​sobre Florença e a Toscana, acessíveis a todos.

Sua contribuição – seja uma pequena doação de tempo ou apoio regular – nos ajuda a permanecer independentes e a contar as histórias que importam.

Doe com segurança através do Stripe abaixo.


Mais do Florence Daily News

Inscreva-se para receber os boletins informativos mais recentes enviados para seu endereço de e-mail.

Source link

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui